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Brasil

Especial com Alcivando Lima – MULHERES CONTRA A BARBÁRIE

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“Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é um doer.” (Rachel de Queiroz – romancista brasileira)

A maioria dos homens, por herança patriarcal, continua a pensar que as mulheres são seres inferiores e estas, por sororidade, estão, há muito, mandando pras cucuia todo esse ranço arraigado no nosso viver cotidiano. O grito de liberdade e igualdade está ampliado entre elas que deram adeus ao cabresto do machismo insistente. Elas, as mulheres, são, por natureza, um ser dotado de inteligência superior, carrega o fruto de um amor por nove meses, amamenta, educa e prepara-o para a vida enquanto cozinha, limpa e se esfalfa diuturnamente para ajudar no sustento quando não é todo o sustento. Dão apoio moral, cívico e dar-se-ão sempre que a prole dirigir-lhas um olhar pidão, merencório, soturno, tristonho.

Um buço, a guisa de bigode, surge nos moleques que, mirando num exemplo patriarcal, pensa que é o rei da cocada e julga ser a mulher um alvo fácil de engambelar. As meninas demonstram maturidade, mesmo aquelas entrantes na pubescência. Contudo, a abundância de hormônios desperta a libido. Décadas atrás, meus cansados olhos testemunharam a hecatombe que uma donzela produzia ao se entregar de corpo e alma ao namorado e este, tirando o dedo da seringa, não casava com a coitadinha. Pronto, estava armado o banzé. O pai e os irmãos, quando não cortavam fora os bagos do deflorante, queixavam-se à polícia e esta intimava e ultimava: Casas? De jeito nenhum! Respondia o pulha, que, além de descabaçar a casta e gentil pucela, inda adjetiva-a como malhador e bebedouro de boiadas, mas que estava disposto a reparar o mal dando em paga a sua linda e cobiçada mulona pelo de rato. O casmurrento patriarca redargüia de lá que não, toma vergonha na cara siô, onde já se viu uma proposta dessas? Muito a contragosto aceitava a mula arreada e mais quarenta balaios de milho, seis quartas de arroz, duas de feijão e uma junta de bois chitã, viu?

A renitência fingida do galante era quebrada pela voz da autoridade policial que ameaçava meter-lhe um processo no lombo caso não acedesse à contraproposta do querelante, um prócer enodoado na sua honra e, ademais — enfatiza a autoridade — uma mixaria dessas nem cosca faz na sua fortuna, pombas! Enquanto se assentava um novo nome no livro de Registro de Meretrizes, a bulida vai para um puteiro com os olhos cheios de lágrimas, sabendo que rapidamente transformar-se-ia em carne de terceira pelos notáveis que ordenaram ao randevu aspergi-la com fragrâncias de pitanga fresca e flores de jasmim e a amoitasse pra longe dos olhos dos cachorros do mato para logo mais ser destrinchada num banquete. De lança em riste e jactando-se do seu feito, o lascivo sai à cata duma nova presa.

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Alcivando Lima é escritor. Os artigos são de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do veículo.