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Especial com Alcivando Lima – CÃES DE TRÊS CABEÇAS

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Especial com Alcivando Lima - CÃES DE TRÊS CABEÇAS

“Os covardes esmagam o que já caiu”. Ovídio – Poeta romano – (43 a.C).

Os covardes, travestidos de segurança, ficam tinindo de medo e doidinhos pra matar qualquer um com requintes covardes de um cangaceiro. Os ventos, soprando da casa de Satã, atenderam seus chamados quando surgiu o parrudo do Beto com aqueles músculos que, por um pspsppsss de nada, um ínfimo, um triz, uma coisiquinha de nada, ia arrebentando a cara de um deles que, pavios curtos e pusilânimes até a medula, partiram para aniquilá-lo.

Os lancinantes gritos de dor e desespero do Beto (João Alberto Silveira Freitas) foram ópio para os valentes seguranças estraçalhar um ser humano no estacionamento de um hipermercado em Porto Alegre. Os baques surdos das porradas, da saraivada titânica de socos, martelam ecoantes na cabeça da gente. O barulho do nariz se esboroando sob o impacto dos coices vindos numa velocidade de cem metros por segundo e mais joelhadas na cara, costelas, pafe, pefe, pife, pof, puf e grunhidos e ganidos dolentes e sangue e dentes esguichando da boca que salivava uma baba gosmenta, raiada de sangue e ranho escorrendo das narinas de septo virado munha e mais sangue esparramado no piso esmaecido e mais xingamentos à honra e honorabilidade da mãe do Beto e desaires à sua origem e tome seu desgraçado, tome filho da puta, filho duma cachorra sarnenta, filho de jegue com avestruz e a fiscal chefe, apática e fria como uma estátua, filmando e falando pra todo mundo ouvir: estamos te segurando, meu amorzinho, é pra você não bater na gente, viu? Você foi muito mauzinho em cortar o meu dedinho e por isso, vou estumar meus cachorrinhos pra te dar umas chineladas na bunda e uns tapinhas nessa carona gorducha, ta ouvindo? —– e espreitava seus olhos de medusa, ameaçando transformar em sapo quem ousasse filmar a cena dantesca e o burburinho atraiu mais fiscal, com um deles, careca, vislumbrando a oportunidade de extravasar seu recalque por não ter conseguido moer a mãe no cacete, encalçou forte o tacão do pesado coturno naquele corpo contorcente de dor e um outro, tão inclemente quanto Herodes, esgoelou ao Beto advertindo-o para não fazer ceninha, ta? Aqui num tem disso não, cara! Aqui a gata vai parir, aqui o filho chora, a mãe vê e não tamo nem aí, filho duma biscate desqualificada e pufe, pofe, pife, pef, paf num som melífluo de socos troando naquele corpo ceifado, retorcido, inerte, mijado, reacendendo a excrementos recém espremidos à força do pisão do fiscal careca e gente chegando, rogando para não matar o morto, mas já os olhos do Beto reluzem o brilho da morte e os cães, cada um com três cabeças, rosnam ameaçadores a quem se aproxima.

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