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Goiânia

Especial com Alcivando Lima – CRAQUES GLADIADORES ou GLADIADORES CRAQUES

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Imagem/Freepik

O sucesso na vida vem não de ter as cartas certas, mas de jogar com as erradas corretamente.  Joshua Dool – (extraído de O Pensador).

Vivo sobressaltado com a lisura dos dirigentes públicos no manejo do dinheiro do povo, agora me espetam com notícias que me estonteiam e me deixam cabrero. Conta-se que está no forno uma forma de punir o ímpeto dos craques de futebol que ousem driblar um adversário de forma a deixá-lo avacalhado sob os milhares de olhos dos torcedores presentes e de milhões mundos afora pelos canais de TV. Pela nova lei, esse craque é suscetivo a inúmeras penitências pela audácia de fazer peteca da notoriedade do coitadinho do competidor, destacando-se aí sessões de pau-de-arara.

Cutucado pela escalafobética notícia, garrei a pesquisar no Google sobre o futebol tal como conhecemos hoje, e la descobri que o mesmo foi oficializado no século XIX pelos ingleses mas, segundo o mesmo informe, já no século III a.C, os chineses pegavam uma pelota de couro à qual deram o nome de Tsu Chu e a enchiam de pelos e penas e danavam a driblar quem chegava perto para depois chutar a esfera pro riba de qualquer coisa e sair pulando e gritando feito um guariba e falar uns troços na língua deles que, traduzidos, seria mais ou menos assim: Que lindeza de craque sou eu… puta merda!

Se vê que há mais de cinco mil anos os craques vêm enxovalhando o adversário com fintas e embusteios de todas as formas, cores e palavrões.

Proibindo a arte de o craque envolver o competidor num emaranhado de idas e vindas, — como Garrincha fez com todos os povos que o peitaram, — volvi para tempos idos onde fui informado que os Etruscos — povo da península Itálica — estavam de saco cheio de somente se divertir com nadar no Arno e no Tibre, e, para quebrar a pasmaceira, resolveram ferventar o marasmo bolando um jogo onde entrava uma espada de nome Gladius e se entretinham enfiando a mesma no pescoço ou no bucho do seu antagonista que, para a torcida era pura alegria e gáudio das gentes do governo da época. Os cartolas de então nominaram Gladiadores os craques desse esporte e os mais espertos viram uma oportunidade de faturar adoidado e danaram a fabricar e vender elmos espalhafatosos, armaduras e malhas reluzentes, escudos geométricos, adagas triplas e machados que toravam um sujeito ao meio e o cabra só ia sentir quando caía de lado reclamando: — Assim não vale, vai ser sem educação assim la na puta que te pariu, porra!

Diante disso, receio que teremos Coliseus no lugar de estádios onde, o embate entre jogadores e torcidas (organizadas e desorganizadas) será de puro cacete com um esfarelando o outro no tiro, no machado e na granada.

Teremos, como já disse, sessões de pau-de-arara, choques elétricos, chute nas partes baixas, esmagamento de mamilo com alicate, engolir coró de coco que, tudo junto e misturado, serão superiores aos da Inquisição. Se o afervorado encrenqueiro insistir em desmoralizar seu oponente com dribles, fintas e canetadas desconcertantes, ensejar-se-á a troca do picolé redondo (ápice da arte da tortura no pau-de-arara) por um picolé quadrado ou um de três quinas, juncado de anilina lilás, grudenta e catinguda como tábua de chiqueiro, marca indelével de que o caviloso indisciplinado foi regulado nos moldes do novo código de comportamento do nobre esporte bretão. O pulha, teimando em recair, deverá ser cortado, como se corta torresmo, e comido com farofa.

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Alcivando Lima é escritor. Os artigos são de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do veículo.