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Especial com Alcivando Lima - AGORA VAI VER O QUE É BOM PRA TOSSE Especial com Alcivando Lima - AGORA VAI VER O QUE É BOM PRA TOSSE

Brasil

Especial com Alcivando Lima – AGORA VAI VER O QUE É BOM PRA TOSSE

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“Os tempos primitivos são líricos, os tempos antigos são épicos, os tempos modernos são dramáticos”. Victor Hugo – 1802/1885 – (escritor francês).

Num misto de assobios e solfejos desafinados, ia ele todo serelepe rumo a um lugar qualquer. Afinal, estava mesmo bestando à-toa, queria espraiar-se, jogar-se de corpo e alma naquela manhã dum sol coruscando no asfalto recém regado por uma chuvinha de molhar bobo. Tudo, ou quase tudo aberto, um ou outro de portas fechadas. De longe se percebe — pelo cheiro de coisa sapecada saindo dos cabelos de quem continua sem poder tocar seu reme-reme —, que é bom não ir com gracinhas sobre abrir ou continuar fechado. É bem capaz de o distinto esquecer a boa conduta aprendida nos caríssimos cursos de etiquetas que inclui distinguir taça de vinho da taça de água e vice-versa e que nunca deve agarrar, num almoço ou jantar chique, uma asinha ou uma apetitosa e suculenta coxa de frango com as mãos e devorá-la com caretas e esgares dum bugre recentemente laçado às margens dos igarapés, arre, me acuda meu São Cipriano!

Caminhando e saltitando as poças barrentas, num arremedo do jogo da amarelinha, tentava em vão imitar o tom daquele cantor famoso de cujo nome não se lembrava de jeito nenhum e a coisa saía num chiado de leitão entalado e re-tentou tantas vezes que acabou desistindo com um palavrão impublicável. A sede chegou e, volvendo os olhos à cata dum boteco para dessedentar-se e, credo, tudo fechado, quando seus olhos depararam-se com o povão aglomerando-se em volta duma viatura da polícia que, de repente, ligou a sirene e saiu num carreirão desembestado e quase atropela um velhote curioso que acabara de fugir da prisão quarentenária. Perguntando o acontecido, chegou-se a um mirrado caboclinho que lhe narrou o seguinte: — Olha, o sujeito foi preso porque desatacou o doutor soldado que lhe falou assim: — Fecha essa bodega se não vossa excelência condenar-se-á a si próprio com prisão na casa assombrada, ta me ouvindo?

— Casa assombrada?

— É, casa assombrada é o nome das celas onde ficam os condenados que quebraram o isolamento, num sabe? Pois é, fazem uma pesquisa sobre o que o delinqüente sentenciado detesta ouvir, qual o político que gostaria que estivesse na cadeia e não lá em riba falando abobrinhas e gastando o dinheiro do povo. Feito e apurado os dados, o réu apenado é jogado numa sala escura e úmida e nas primeiras doze horas fica ouvindo as músicas que ele odeia e as outras doze horas restantes ouve discursos do sacana político demagogo. Não endoidecendo, ficará somente trinta e oito dias. Havendo reincidência o pau-quebra dobrado, ta me ouvindo?

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