Portal Opinião Goiás: Quem deve fazer?

Opinião Pública: Quem deve fazer?

Esta pergunta sempre nos atormenta quando uma tarefa difícil se apresenta à nossa frente. Um trabalho árduo, custoso, penoso e desgastante parece melhor desempenhado por outro do que por nós mesmos. Assim, quando a tarefa é coletiva, bom seria se alguém, não eu, tomasse a iniciativa. Neste aspecto, quando a demanda é nacional ou mesmo mundial, é melhor que o governo dite o ritmo e os caminhos. Acontece que nem sempre é assim pois, via de regra, o governo está atrelado a vários interesses. Assim, não faz nada ou o faz muito lentamento.

            No diário da manhã de 9 de novembro de 2015, duas matérias sobre o tema falaram basicamente a mesma coisa. Na pg 9, o chefe do escritório das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, o boliviano Alan Bonjanic, elogiou os agricultores brasileiros que, a cada ano buscam bater record de produção sem derrubar uma árvore. Mais adiante em sua visita a Embrapa de Santo Antônio de Goiás, cravou que isto se devia, para além do desenvolvimento tecnológico e incorporação de árias degradadas, em prosseguir “a ênfase à capacitação profissional, postas em prática pelas instituições privadas e públicas nacionais”. Neste mesmo dia, já na pagina seguinte, artigo do sócio diretor responsável pela prática de sustentabilidade da KPMG para a América Latina, Sr Ricardo Zibas, o mesmo destaca no texto intitulado Mudanças climáticas e impactos na economia que “…os governos de todo o mundo, com auxilio das empresas e sociedade civil, precisarão trabalhar para… direcionar a economia de baixo carbono”. A questão é: a quem cabe o trabalho de coordenar as ações que reduzirão o impacto no clima?

            A ingerência do governo nas ações civis tende a inibir investimentos, pois como disse se preocupam em atender vários interesses nem sempre convergentes. Daí a leniência do mamute governamental em se posicionar. As empresas e pessoas adiam atitudes, esperando que alguém o faça primeiro. É assim em todas as áreas de nossa vida privada, e falo isto por via de regra não levando em conta os fatos isolados. Contudo, me assusta pensar que, se questionados, todos se colocarão do lado dos fatos isolados. Assim, parece ser mesmo o governo o maestro natural para esta questão.

            Acontece que o governo, cada vez que se preocupa com um assunto, cria um órgão para tratar do mesmo. Desta forma, já temos IBAMA, ICMBIO, INCRA, MDA, ANA, SERVIÇO FLORESTAL, SEMARH, DEMA, PMAmbiental, etc. Isto para ficar só nas esferas Federal e Estadual. Acontece que nem sempre estes órgãos têm a mesma visão e a mesma forma para solucionar um problema comum. Também não é raro que seus entendimentos sejam opostos. Daí, também não é incomum que, para muitos assuntos não consigam encontrar uma solução, a não ser por boa vontade de pessoas e nunca de entidades. Parece difícil então que se chegue a um termo.

            Fora do Brasil não é diferente. Basta que se diga que, somente agora, após 21 reuniões para tratar do assunto, a COP, Conferência da ONU para tratar das mudanças do clima, os EUA e China, considerados os maiores emissores de gases de efeito estufa, concordaram em reduzir sua emissão de tais gases. Assim não é fácil para ninguém. Mas o que temos nós a ver com isto?

Portal Opinião Goiás Quem deve fazer2

            Todos nós deveríamos nos preocupar com o assunto e, mais que isto, contribuir de alguma forma para a normalização do clima. Ações mínimas que possam colaborar são melhor que nada. A SEMARH e PMambiental, em parceria com empresas e produtores rurais, desenvolvem um trabalho pouco visto mas de muito sucesso nas áreas onde são aplicados. Trata-se do programa “nascente viva”. Por ele, uma nascente degradada, é isolada e o local reflorestado com árvores nativas. Em pouco tempo estas nascentes estão recuperadas. Parece pouco, mas não é. Se ações assim fossem estimuladas e multiplicadas, em um tempo teríamos um cenário diferente para melhor. Não é atoa que no mesmo dia duas autoridades no assunto dizem a mesma coisa: governos, empresas privadas e sociedade civil estão no caminho. Só precisam encontrar a direção.

Coronel Avelar Lopes de Viveiros é comandante do 16º Comando regional da PM

Mostre mais

Avelar Lopes de Viveiros - Opinião Pública

Coronel Avelar Lopes de Viveiros é comandante do 16º Comando regional da PM

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar