Portal Opinião Goiás: As suspeitas viagens de Lula e de Kátia Abreu

Opinião Pública: As suspeitas viagens de Lula e de Kátia Abreu

Sabe-se que Lula passou empoleirado no poder de 1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2010; sabe-se, também, que Lula fez 261 viagens internacionais, às nossas custas, visitando 84 países; sabe-se, ainda, que o ex-presidente, pessoa de instrução primária, para não dizer semianalfabeto, e legalmente remunerado por uma aposentadoria que os congressistas arranjaram para os ex-presidentes, ele estaria vivendo tranquilamente com aqueles proventos, se seu súbito aumento patrimonial não despertasse a suspeita de todo mundo para a corrupção deslavada que cerca seus mais próximos, filhos e companheiros. Para um ex-torneiro-mecânico, já estaria de bom tamanho. Mas o saco do interesse não enche.

Recentemente, não bastassem os escândalos pipocando a cada dia, centralizados no seu partido, ele está “na alça de mira”, sendo investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal, que quer saber a razão de um contumaz   despreparado viver passeando pelo Brasil e pelo mundo, quando se sabe que, além de um proselitismo barato, nada tem a oferecer em palestras. Acossado por uma reportagem do “Estadão”, “esclareceu”, através do suspeitíssimo “Instituto Lula”, criado para esconder bandalheiras, quem custeia tais “palestras”, que, na verdade maquiam indisfarçável exploração de prestígio em países de terceiro mundo.

Até o momento, o próprio Instituto Lula aponta que, de 2011 a 2014, já fora do governo, ele participou de 174 reuniões com 107 chefes de Estado, autoridades, empresários e dirigentes de organismos multilaterais e organizações sociais, 63 deles no Brasil e 111 no exterior. O MPDF parece que não se convenceu das explicações do Instituto e avança nas investigações, pois é forte a suspeita da participação de empreiteiras na canalização de um “propinoduto” em direção a seu partido, e que já se aproxima do terreiro do Planalto, assustando, com razão, os petistas de alto coturno.

O assunto “viagens” não tem apenas Lula como personagem que deve dar explicações ao contribuinte, principalmente agora, que se descobriu que por trás de contratos aparentemente lícitos escondem-se propinas de grosso calibre navegando rumo ao PT.

Mas Lula caminha paralelo à senadora-ministra (goiana de nascimento e tocantinense por aproveitamento) Kátia Abreu nesse assunto: o ex-presidente viajou por 84 países em oito anos de mandato, enquanto a senadora, no período de fevereiro de 2012 e abril de 2014 (dois anos e dois meses), esteve em quase trinta cidades de três continentes

Em 02 de agosto de 2014, a revista “Época”, na bombástica matéria “Roteiro do charme”, na qual conta o que denominou “as românticas missões parlamentares” da senadora Kátia Abreu (PMDB) a nove países na companhia do namorado, o servidor público Moisés Pinto, que com ela trabalhava na CNA e, nomeado para seu gabinete senatorial, foi dispensado de registrar presença no trabalho em 12 ocasiões para acompanhar Kátia em viagens internacionais.

A revista diz que Moisés, que passou a assessorá-la no Senado a partir de 2011, viajou com ela para nove países entre fevereiro de 2012 e abril de 2014, ”quase três meses de ausência”, com 123 diárias, ou seja, 51.042 dólares, só de diárias, sem se falar nas passagens aéreas. O valor das diárias no Senado para a América do Sul era, na época, de US$ 353.00 dólares e para qualquer outro país do mundo, de US$ 416.00.

“Época” informou que Moisés não quis prestar esclarecimentos. A CNA, disse a revista, também não se manifestou. Já a assessoria de Kátia disse em nota que Moisés acompanhou a senadora em diversas atividades externas e, por isso, esteve submetido a “regime especial de frequência”. “Todas as viagens foram realizadas sem ônus para o Senado, e os pedidos de afastamento foram formalizados em estrito acordo com as regras estabelecidas pela Mesa Diretora”, disse o gabinete de Kátia à “Época”. É melhor contar outra, porque esta não “cola”. Pagar do próprio bolso? Hahaha!.

No dia em que assumiu o ministério da Agricultura, a senadora, após ter mantido várias ligações amorosas, provocando, inclusive, a separação do ex-governador Siqueira Campos com D. Aureny, resolveu dar um basta e, em boa hora, resolveu cair em si e casar-se com o namorado-assessor que a acompanhara em tantas viagens mundo afora, num confortável e romântico turismo.

Todas as viagens na companhia de Moisés nessa volta ao mundo com dinheiro público constam de 15 boletins oficiais do Senado, de novembro de 2011 a fevereiro de 2014, (Boletins nº 4.848, de 14/11/2011; nº 4.857, de 28/11/2011; nº 4.911, de 10/02/2012; nº 4.926, de 05/03/2012; nº 4.927, de 06/03/2012; nº 4.947, de 03/04/2012; nº 4.951, de 11/04/2012; nº 4.985, de 30/05/2012; nº 5.106, de 22/11/2012; nº 5.213, de 02/05/2013; nº 5.235, de 03/06/2013; nº 5.324, de 30/09/2013; nº 5.356, de 11/11/2013; nº 5.433, de 28/02/2014).

 “Épocaafirma que “são antigas as suspeitas de que Kátia usa o dinheiro da CNA em proveito próprio”: primeiro, ela foi acusada de usar a Confederação, da qual era diretora em 2006, para bancar sua campanha ao Senado. Nas eleições de 2010, lembrou a revista, nova acusação: desta vez, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se favoravelmente à cassação do mandato do deputado Irajá Abreu (PSD), filho da senadora, por receber recursos supostamente ilegais por meio da CNA para a sua campanha. O processo deve estar devidamente “guardado” no TSE.

Outro parecer da PGE diz que Kátia, então presidente da CNA, ao opinar pelo provimento do recurso e a cassação de seu mandato, diz que ela “enviou boletos de cobrança sem registro, no valor de R$ 100 cada um, para mais de 600 mil produtores rurais de todo o País, solicitando seu pagamento como forma de doação a campanhas eleitorais de candidatos afins ao setor agropecuário”. Conforme a revista, mais de R$ 700 mil foram arrecadados, e o caso tramitou desde no ano passado no TSE, tendo sido estranhamente retirado de pauta pela relatora, ministra Luciana Lóssio, que tem histórico de julgamentos estranhos, divergiu da PGE e negou provimento ao recurso, absolvendo a senadora, sem submeter o caso ao plenário.

Em março do ano em curso, a senadora foi alvo de outra matéria negativa de repercussão nacional. Esta foi resultado de um levantamento feito pelo jornal “O Estado de São Paulo” dos senadores, ex-senadores e seus dependentes que utilizaram o plano de Saúde do Senado para fazer despesas que incluem implantação de próteses dentárias com ouro e até sessões de fonoaudiologia para melhorar a oratória e driblar a timidez.

Mas isto já é outro assunto.

 Liberato Póvoa

(Desembargador aposentado do TJ-TO,

Membro-fundador da Academia Tocantinense

de Letras, escritor, jurista, historiador e advogado)

Mostre mais

Liberato Póvoa - Opinião Pública

Liberato Póvoa (Desembargador aposentado do TJ-TO, Membro-fundador da Academia Tocantinense de Letras, escritor, jurista, historiador e advogado).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar