Opinião Pública: Guardiões do Araguaia

Especial Opinião Pública com Juliene de Brito Ferreira

Guardiões do Araguaia

A natureza é perfeita. Todos os seres vivos convivem juntos e se completam formando uma gigantesca teia da vida, formando um gracioso equilíbrio entre as mais diversas formas de vida no planeta.  Entre os diferentes ecossistemas, o Goiás pertence ao bioma do Cerrado, conhecido pelas riquezas biológicas como árvores retorcidas com troncos de casca grossa, fauna peculiar como o tamanduá bandeira e lobo guará, mas certamente, o que poucos sabem é que nosso bioma também é conhecido como berço das águas.

O título de região com maior capacidade hídrica se deve ao fato de que os grandes rios que aqui nascem, formam cursos d’água que se estendem a outros biomas, como se fosse um grande regador que distribuísse água pelo país. Um rio que ilustra bem esse cenário é o rio Araguaia. Conhecido por todos os goianos e principalmente, nessa época do ano é a atração turística favorita dos goianienses.  A exuberante perfeição da natureza é facilmente ilustrada no Araguaia, suas praias de areia branca, a diversidade de peixes, o contato direto com os cantos das aves, a visita de tuiuiús, jacarés na beira do curso hídrico e o miado da onça tornam esse rio os olhos de ouro de quem vive no centro-oeste.

Mas o que de fato me incomoda é a falta de conscientização e preservação desse bem em comum, nosso rio está morrendo, a exploração excessiva de areia provocou um problema grave de assoreamento no leito do rio, o desmatamento e a agropecuária desenfreada tornaram pastos e lavouras em areia, a pesca predatória ameaça inúmeras espécies de peixes, inclusive as que existem apenas neste rio. O turismo irresponsável poluem as praias, sujam os rios com lixos, contaminam a água, intoxicam e até provoca a morte de organismos aquáticos como peixes e tartarugas.

Essa triste realidade despertou preocupação em torno do tempo de vida do rio Araguaia, inúmeros pesquisadores trabalham estudando e preservando a biodiversidade que ali habita. Órgãos como Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Delegacia do Meio Ambiente, Ministério da Pesca e Aquicultura, Ministério do Meio Ambiente, ONGs e tantos outros promovem ações percorrendo o curso do rio a fim de amenizar os impactos ambientais. Um bom exemplo é o trabalho desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes no Araguaia com as tartarugas da Amazônia (Podocnemis expansa), espécie ameaçada de extinção e fonte de alimento para os moradores da região. Pesquisadores acompanham todo o processo de desova, desde a escolha da praia pelas tartarugas até o nascimento dos quelônios.

Neste contexto ambiental, o que mais me fascina é que qualquer pessoa pode ser um guardião do rio, proteger, preservar, cuidar é papel de todos e não exclusivamente dos biólogos, técnicos do meio ambiente e demais profissionais da área ambiental. Com atitudes simples como recolher diariamente os lixos da praia, pescar apenas o que for permitido obedecendo à legislação dos peixes proibidos e tamanho, não utilizar redes, tarrafas, preservar a encosta do rio evitando o desmatamento e respeitar todos os animais terrestres e aquáticos. Dessa forma, deixe apenas as marcas dos pés nas praias do rio Araguaia, e leve somente as lembranças da natureza que tanta nos encanta.

Juliene de Brito Ferreira é bióloga

 

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