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Jornal Opinião Goiás – Temer insiste em fim de greve de caminhões

Caminhão de combustível sai de uma central de distribuição escoltado pela polícia em Brasília

O impopular presidente, Michel Temer, insistiu na segunda-feira que a greve de caminhões que paralisam o país terminará em poucas horas, mesmo com os motoristas paralisando as entregas de combustível, bens e alimentos.

Temer disse que tinha “absoluta convicção de que entre hoje e amanhã” a crise, que se estendia até o oitavo dia, finalmente terminaria. Em um tweet, Temer deu um horizonte ligeiramente mais longo de “um a dois dias”.

Apesar da confiança de Temer, um número significativo de motoristas de caminhão permaneceu firme e alguns pareciam estar radicalizados, exigindo que o governo renunciasse. Um importante ministro Temer, Eliseu Padilha, falou de grupos não identificados “infiltrando no movimento com objetivos diferentes e essencialmente políticos”.

No final do domingo, a Temer cedeu à sua principal demanda por custos mais baixos de diesel, mas na segunda-feira houve novas interrupções na maior economia da América Latina, que já está sofrendo com a recessão profunda e a instabilidade política antes das eleições gerais de outubro.

Mais de 550 bloqueios de estradas por caminhoneiros foram montados em 24 dos 27 estados do país, disse a polícia federal rodoviária.

A escassez de combustível de aviação encerrou oito aeroportos. O tráfego para o imenso porto de Santos, perto de São Paulo, que normalmente recebe 10 mil caminhões por dia, encolheu.

Embora tenha havido alguma melhora desde que o exército foi ordenado a intervir na sexta-feira, com soldados armados escoltando caminhões de combustível em rotas prioritárias, enormes linhas de carros ainda estavam se formando nos postos de gasolina.

Muitos supermercados em todo o país se esforçaram para obter alimentos frescos. Os produtores relataram ter que abater os estoques de frangos porque não tinham acesso à ração, enquanto outros jogaram fora milhares de litros de leite estragado.

Hospitais no Rio de Janeiro e São Paulo tiveram que cancelar cirurgias não urgentes e pelo menos 13 estados relataram ter abandonado as aulas na universidade.

Além da interrupção no Rio, o principal sistema de BRT operava com apenas 22% da capacidade, enquanto em São Paulo o sistema de ônibus operava a 70% da capacidade.

Os caminhoneiros estão irritados com o aumento nos custos do diesel de 3,36 reais por litro em janeiro para 3,6 reais antes da greve. Em 26 de maio, atingiu 3,8 reais por litro.

Após negociações urgentes com representantes dos caminhoneiros, Temer concordou em reduzir o preço do diesel em 0,46 reais por litro por 60 dias.

Essa concessão anulou o valor da Petrobras, uma das empresas mais dominantes do Brasil, que deve enfrentar uma greve de seus próprios trabalhadores na quarta-feira.

As ações caíram 14 por cento na segunda-feira e outros 14 por cento na última quinta-feira, enquanto o índice Ibovespa em São Paulo fechou em queda de 4,5 por cento.

– Derrubando o governo? –

Havia alguns sinais de que o pior da greve poderia estar diminuindo.

A prefeitura do Rio anunciou que na terça-feira haveria “diesel suficiente para o retorno de 100% da frota de ônibus municipal” e o sistema de BRT.

Mas uma resolução completa da crise pareceu um pouco distante, com os sindicatos divididos sobre a possibilidade de se afastarem e alguns ativistas adotarem uma linha mais militante.

Em um bloqueio rodoviário montado por caminhoneiros fora do Rio de Janeiro, um repórter da AFP viu vários sinais pedindo um golpe militar, enquanto outros falavam em derrubar Temer.

“Já tivemos o suficiente de toda essa corrupção. Se mais pessoas saírem às ruas, o governo vai cair, com certeza”, disse Tango Roxa, um vendedor de eletrodomésticos que se juntou aos caminhoneiros para expressar seu apoio.

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros, José da Fonseca Lopes, aludiu a esse endurecimento de opiniões, dizendo que “já não são caminhoneiros que estão em greve … são pessoas que querem derrubar o governo. Tenho nada a ver com essas pessoas “.

A crise expôs a surpreendente fragilidade da gigantesca economia e colocou a administração de Temer na defensiva antes das eleições presidenciais e legislativas de outubro.

Uma pesquisa da Ideia BigData descobriu que 95 por cento dos brasileiros desaprovavam sua maneira de lidar com a situação, mesmo que 55 por cento se opusessem à greve em si.

Temer assumiu o poder em circunstâncias polêmicas em 2016, após o impeachment e a destituição de seu antecessor esquerdista Dilma Rousseff por quebrar as regras orçamentárias.

O governo de centro-direita, favorável ao mercado, lançou reformas de austeridade que foram amplamente elogiadas pelos investidores como uma tentativa de devolver o país à saúde fiscal, mas provou ser extremamente impopular entre os brasileiros comuns.

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