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Jornal Opinião Goiás – Notícias falsas: algoritmos no banco dos réus

Algoritmos executam nossas pesquisas no Google, nosso feed de notícias do Facebook, nos recomendam artigos ou vídeos e às vezes censuram conteúdo questionável

No coração da disseminação de notícias falsas estão os algoritmos usados ​​pelos mecanismos de busca, sites e mídias sociais que são frequentemente acusados ​​de enviar informações falsas ou manipuladas, independentemente das consequências.

– O que são algoritmos? –

São os programas de computador e fórmulas invisíveis, mas essenciais, que cada vez mais executam a vida moderna, destinados a resolver repetidamente problemas recorrentes ou a tomar decisões por conta própria.

Sua capacidade de filtrar e procurar links em bancos de dados gigantescos significa que seria impossível administrar mercados globais sem eles, mas eles também podem ser refinados para produzir cotações personalizadas de tudo, desde hipotecas até passagens aéreas.

Eles também executam nossas pesquisas no Google, nosso feed de notícias do Facebook, recomendam artigos ou vídeos para nós e às vezes censuram conteúdo questionável porque pode conter violência, pornografia ou linguagem racista.

Outros algoritmos encarregados das tarefas mais complexas e sensíveis podem ser “caixas pretas” opacas que desenvolvem sua própria inteligência artificial com base em nossos dados.

– Uma visão distorcida do mundo? –

“Algoritmos podem nos ajudar a encontrar o caminho através da enorme quantidade de informação na internet”, disse Margrethe Vestager, a comissária europeia para competição.

“Mas o problema é que só vemos o que esses algoritmos – e as empresas que os utilizam – optam por nos mostrar”, acrescentou.

Ao organizar seu conteúdo on-line, os algoritmos também tendem a criar “bolhas de filtro”, isolando-nos de pontos de vista opostos.

Durante a eleição presidencial dos EUA em 2016, o Facebook foi acusado de ajudar Donald Trump ao permitir que informações frequentemente falsas sobre sua rival Hillary Clinton circulassem on-line, fechando as pessoas em uma bolha de notícias.

Algoritmos também tendem a fazer opiniões extremas “e visões marginais mais visíveis do que nunca”, segundo Lorena Jaume-Palasi, fundadora do grupo Algorithm Watch.

No entanto, seus efeitos podem ser difíceis de medir, ela alertou, dizendo que os algoritmos por si só não são os culpados pelo aumento do nacionalismo na Europa.

– Espalhando notícias falsas? –

Algoritmos de mídia social tendem a empurrar o conteúdo mais visto sem verificar se é verdade ou não, e é por isso que eles aumentam o impacto de notícias falsas.

No YouTube em particular, os vídeos da teoria da conspiração obtêm muito mais tráfego do que os precisas e de fontes adequadas, disse Guillaume Chaslot, um dos ex-engenheiros da plataforma do Google.

Esses vídeos, que podem afirmar que as aterragens na lua ou as mudanças climáticas são mentiras, obtêm muito mais visualizações e comentários, mantendo os usuários na plataforma por mais tempo e minando a mídia tradicional e confiável, insistiu Chaslot.

– Algoritmos mais éticos? –

Alguns observadores acreditam que os algoritmos poderiam ser programados “para servir a liberdade humana”, com muitos grupos não-governamentais exigindo muito mais transparência.

“A Coca-Cola não revela sua fórmula, mas seus produtos são testados quanto ao seu efeito sobre a saúde”, argumentou Jaume-Palasi, insistindo na necessidade de regulamentação clara.

O órgão francês de proteção à privacidade, o CNIL, recomendou no ano passado a supervisão do estado dos algoritmos e que deveria haver um esforço real para educar as pessoas “para que elas entendessem as engrenagens da máquina (tecnologia da informação)”.

As novas regras europeias de proteção de dados também permitem que as pessoas contestem a decisão de um algoritmo e “exijam uma intervenção humana” em caso de conflito.

Alguns gigantes da Internet começaram a agir de alguma forma: o Facebook começou a tentar rotular automaticamente postagens suspeitas, enquanto o YouTube reforça seus “controles humanos” em vídeos destinados a crianças.

No entanto, ex-membros do Silicon Valley que compõem o Center for Humane Technology, que foi criado para combater os excessos da tecnologia, alertaram que “não podemos esperar que empresas de extração de conteúdo como YouTube, Facebook, Snapchat ou Twitter mudem, porque é contra o modelo de negócios deles “.

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