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Jornal Opinião Goiás – Investimos em energia solar na Espanha

Espanha foi um dos pioneiros da geração de energia solar, mas a crise financeira quebrou seu ímpeto.

A Espanha banhada pelo sol deveria ser natural para a energia solar, e é aqui que a tecnologia está se esforçando para ficar financeiramente sem subsídios.

Os investidores estão apostando novamente na geração de energia solar na Espanha, que durante uma década esteve nas sombras enquanto o país cortava os subsídios para a fonte de energia limpa, mas cara.

Um mergulho no preço dos painéis solares e menores custos de construção mudaram as contas, e novos projetos estão avançando novamente.

A Iberdrola, maior empresa de energia da Espanha, lançou este mês um projeto solar com capacidade de 425 megawatts.

Na semana passada, a empresa espanhola de energia renovável Cox Energy assinou um acordo para a construção de 495 megawatts de capacidade na Espanha e outros 165 megawatts no vizinho Portugal, num investimento de 400 milhões de euros (490 milhões de dólares).

As empresas buscaram autorização para projetos de energia solar em toda a Espanha, com uma capacidade total de 24.000 megawatts, de acordo com o diretor geral do lobby da energia solar espanhola UNEF, José Donoso.

– Subsídios tropeçam –

Isso equivale a 14 das usinas nucleares de última geração que a França espera lançar ainda este ano, após uma década de construção dispendiosa.

A Espanha foi um dos pioneiros da geração de energia solar. Os subsídios na forma de um alto preço de compra pela energia solar levaram os investidores e proprietários de imóveis a instalarem painéis solares, provocando um boom de instalação em 2008, que fez com que a capacidade instalada da Espanha saltasse cinco vezes, para 3.355 megawatts.

Mas a crise financeira global, que devastou a Espanha através de um colapso do mercado imobiliário, levou a um colapso em novos projetos e o governo, dominado por dinheiro, foi rapidamente forçado a abandonar os subsídios.

Apenas 49 megawatts foram adicionados em 2015 e 55 megawatts em 2016, antes de atingir 135 megawatts em 2017, segundo dados da UNEF.

No entanto, na Alemanha, que manteve seus subsídios, a energia solar aumentou seis vezes, embora o país não receba tanto sol quanto a Espanha, o que significa que cada painel produz menos eletricidade.

O país tem agora mais de 40.000 megawatts de energia solar, em comparação com 5.400 na Espanha no final de 2015.

Mas o setor passou por “uma reversão completa em menos de seis meses”, segundo Donoso.

– Retorno ardente –

Uma razão é que os painéis solares podem agora produzir eletricidade a um preço menor do que as fontes tradicionais de energia, como carvão, gás e energia nuclear.

O custo da produção de energia solar despencou 73% entre 2010 e 2017, segundo a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena), que prevê que continuará a cair.

As empresas também perceberam que os projetos não precisavam de preços garantidos do estado.

Uma licitação para projetos de energia solar lançada pelo governo em julho teve tantos lances que o preço foi limitado a 30-31 euros por megawatt-hora.

De acordo com a agência estatística européia Eurostat, os clientes não residenciais na Espanha pagaram uma média de 107 euros por megawatt hora no ano passado.

Os investidores concluíram que “é melhor correr riscos no mercado e depender da demanda regulada”, disse Donoso.

Além disso, os investidores em renováveis ​​sabem quanto a construção e a operação lhes custarão, enquanto as usinas elétricas tradicionais têm apenas uma capacidade limitada de bloquear os preços do combustível.

“É muito mais lucrativo investir em tecnologias intensivas em capital (como energia fotovoltaica) do que em tecnologias onde a matéria-prima tem um custo” como gás ou carvão “, disse o presidente do grupo de energia renovável Fundacion Renovables, Fernando Ferrando.

– Espaço para crescer –

Donoso disse que isso explica por que grandes empresas de energia espanholas, como a Iberdrola, “que ficou de fora desse setor”, subiram repentinamente.

“O mercado espanhol certamente será um dos maiores da Europa nos próximos anos”, acrescentou.

Um grupo criado pelo governo propõe estabelecer como uma meta ter um total de 30.000-60.000 gigawatts de capacidade solar instalada até 2020, disse Donoso.

O governo conservador da Espanha até agora não fez da energia solar uma prioridade, disse Ferrando.

“Nós só usamos o sol para o turismo, não para a eletricidade”, disse ele.

A energia solar representa apenas 3-4% da produção de energia elétrica na Espanha, em comparação com 20% da energia eólica e 16% a 17% da energia hidrelétrica, de acordo com o grupo de lobby.

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# Rachel Lima

Rachel Lima é jornalista.

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