Jornal Opinião Goiás: 21 dezembro 2017 – 16:12 – Atualizado 22/12/2017 – 14:15

Goiânia – Amanhã (22/12), às 08h30, na reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investiga irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde, o vereador Elias Vaz (PSB) vai denunciar a falta de atendimento odontológico para crianças especiais em Goiânia. É que crianças com deficiência neurológica, como a microcefalia, paralisia cerebral e também Síndrome de Down e Autismo precisam de anestesia geral para passar por procedimento odontológico. O vereador teve acesso a uma lista com mais de 100 crianças com idade entre zero e 12 anos que aguardam pelo tratamento. “A situação é grave porque são crianças especiais que tem sofrido com a falta de atendimento. A anestesia geral só pode ser aplicada em ambiente hospitalar, a prefeitura de Goiânia não possui parceria com nenhum hospital para realizar esse tipo de tratamento”, explica o vereador.

De acordo com os pacientes, o Hospital Geral de Goiânia (HGG) era o único que realizava esse tipo de atendimento, mas desde 2015 o serviço foi cortado. “Estamos falando de uma fila de espera que só cresce. Ela não anda e não tem perspectiva para andar porque além da prefeitura, o Estado de Goiás também não têm oferecido o serviço. A população está amargando a falta de interesse e de gestão do poder público”, ressalta Elias.

O ideal seria que a prefeitura retomasse a parceria com hospital público estadual ou particular para que os pacientes pudessem desfrutar de uma estrutura adequada e segura para os atendimentos. Nesses casos, é necessário que o médico anestesista permaneça junto com o dentista durante todo o procedimento.

Para a dona de casa Ivonete Maria Nunes Cunha a situação está insustentável. O filho de 8 anos, autista, aguarda por anestesia geral há mais de um ano. O primeiro atendimento era para tratar uma cárie, mas a criança não teve acesso ao tratamento. Um laudo recente aponta que o filho da dona Ivonete já está com oito dentes comprometidos e precisa de serviço de restauração e extração. “É muito triste ver um filho nessa situação. Hoje, L.M nem permite que eu escove os dentes dele. Dói muito. Os remédios não fazem mais efeito e tenho medo do que possa acontecer com ele”, desespera a dona de casa.

Providências

Os vereadores da CEI da Saúde vão protocolar representação junto ao Ministério Público Estadual (MPE) para que seja investigada a falta de atendimento odontológico em crianças especiais no município. Também vão informar o caso à Defensoria Pública do Estado para que eles entrem com uma Ação Civil Pública em defesa das crianças. “A prefeitura de Goiânia também será notificada para que medidas emergenciais sejam tomadas e as crianças voltem a receber atendimento odontológico. Essa situação é absurda e cruel para com essas crianças e não pode persistir”, conclui Elias Vaz.

 

O outro lado

Nota de esclarecimento

Informamos que o Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG não possui estrutura de atendimento pediátrico para pacientes menores de 12 anos submetidos aos procedimentos cirúrgicos com anestesia. Em 2015, o Ministério Público redefiniu o fluxo de atendimento odontológico aos pacientes especiais, quando foi acordado que o HGG, por sua estrutura e perfil, ficaria responsável por pacientes acima de 12 anos.

Ressaltamos que em 2017, a unidade aumentou a oferta de vagas no Serviço de Odontologia para Pacientes Especiais para maiores de 12 anos. Este ano foram realizados 147 procedimentos cirúrgicos e 1702 consultas, números 23% maiores do que em 2016, quando foram realizadas 80 cirurgias e 1336 consultas.

 

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