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Jornal Opinião Goiás – Ainda ocorrem negociações antes da prisão do ex-presidente

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva saúda os partidários do sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo do Campo, horas antes de um prazo que ele perdeu para se render e começar a cumprir uma sentença de 12 anos de prisão.

O controverso ícone esquerdista do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, estava negociando os termos de sua prisão por corrupção, ao mesmo tempo em que permanecia oculto com multidões de fervorosos apoiadores perto de São Paulo.

Lula, duas vezes ex-presidente que é odiado e amado no Brasil em igual medida, foi instruído a se render na sexta-feira para começar a cumprir pena de prisão de 12 anos.

Mas o político de 72 anos deixou desafiar o prazo, refugiando-se no sindicato dos metalúrgicos de sua cidade natal, São Bernardo do Campo, cercado por milhares de simpatizantes.

Isso elevou a temperatura no impasse entre Lula e o juiz Sergio Moro, que lidera a gigantesca investigação da “Lava-Jato” do país e que ordenou a prisão.

Não obstante, ambos os lados recuaram do confronto direto, dado que tomar Lula pela força certamente provocaria resistência violenta de seus partidários.

As autoridades se esforçaram para reduzir as tensões, enfatizando que Lula não era considerado um fugitivo – algo que acionaria um mandado de prisão preventiva.

“Lula não cumpriu uma ordem judicial”, disse um porta-voz de Moro, “mas todos sabem onde ele está. Ele não está se escondendo ou fugindo”.

Políticos do Partido dos Trabalhadores de Lula disseram que seus advogados estavam negociando.

“Há uma discussão entre a polícia e os advogados do ex-presidente e o partido segue isso. A ideia é evitar que o juiz ordene a prisão preventiva, o que agravaria a situação”, disse o deputado Carlos Zarattini.

“Nada acabou ainda.”

A missa católica deve se realizar no prédio do sindicato no início do sábado em memória da falecida esposa de Lula, Marisa Leticia, que morreu no ano passado e agora estaria completando 68 anos, disseram autoridades do Partido dos Trabalhadores.

De acordo com vários relatos, Lula estava pensando em se render após a missa ou possivelmente tentando resistir durante o fim de semana.

Enquanto isso, os advogados de Lula apelaram para uma liminar contra sua prisão na sexta-feira. Um apelo semelhante em outro tribunal falhou no início do dia.

Lula foi condenado no ano passado por alugar um apartamento de luxo como recompensa de uma grande construtora. Ele perdeu um recurso de primeira instância em janeiro e viu sua sentença aumentar de nove para 12 anos.

Para o Partido dos Trabalhadores, Lula é vítima de um judiciário descontrolado, impedindo-o de voltar ao poder.

Eles recordam dele na presidência de 2003-2010 onde dezenas de milhões de pessoas saírem da pobreza e o Brasil subir no cenário mundial.

“Lula é inocente, Lula para presidente!” partidários gritavam do lado de fora do prédio.

Renata Swiecik, uma mãe de quatro filhos desempregada que se juntou à multidão, pediu a Lula que não se entregasse.

“Estamos aqui para resistir até o fim. Lula não será prisioneiro em 2018, será presidente e ajudará o povo mais uma vez”, disse Swiecik, 31 anos.

No entanto, a prisão iminente de Lula está sendo celebrada por muitos brasileiros.

A investigação “Lava-Jato”, que revelou desvios sistemáticos de alto nível e suborno ao longo dos negócios e da política nos últimos quatro anos, é muito popular.

“Quero Lula na prisão, quero um futuro melhor e com ele na liderança não teremos isso”, disse Maura Moraes de Oliveira, 51, que trabalha como empregada em Curitiba.

“Não só Lula deveria ser trancado, mas todo o corrupto, uma limpeza completa.”

A Operação “Lava-Jato” foi batizada em homenagem ao posto de gasolina onde os agentes inicialmente investigaram um esquema menor de lavagem de dinheiro em 2014, antes de perceber que haviam tropeçado em uma gigantesca rede de apropriação indébita e suborno na estatal Petrobras e através das classes políticas.

Lula, que cresceu pobre e com pouca educação formal antes de se tornar um líder sindical e político, há tempos diz que vai lutar.

Em teoria, uma vez que alguém foi condenado e perdeu um recurso no tribunal de primeira instância, ele ou ela é impedido de concorrer ao cargo sob as leis brasileiras.

Ainda assim, mesmo na prisão, Lula tem o direito de se registrar como candidato. Caberá então ao Tribunal Superior Eleitoral decidir se sua candidatura poderá ser válida.

Embora Lula fique preso, ele ainda poderia manter sua influência política.

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# Anne Cardoso

Anne Cardoso - Editora, colunista e também responsável pela gestão das redes sociais.

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