Jornal de Goiás- Sri Lanka fica em silêncio por vítimas de ataque islâmico

O Sri Lanka iniciou um dia de luto nacional na terça-feira, com três minutos de silêncio para homenagear mais de 300 pessoas mortas em atentados suicidas que foram atribuídos a um grupo islâmico local.

As bandeiras foram abaixadas até a metade dos prédios do governo, e as pessoas inclinaram suas cabeças e refletiram silenciosamente sobre a violência que causou indignação internacional.

O silêncio começou às 8h 30 (horário de Brasília), o horário em que a primeira das seis bombas explodiu no domingo de manhã, desencadeando uma carnificina em hotéis de alto padrão e igrejas cheias de fiéis que comemoravam a Páscoa.

Pouco depois de o silêncio ter sido observado, um porta-voz da polícia disse que o número subiu para 310, devido a várias pessoas que não resistiram aos ferimentos.

Os primeiros serviços em memória das vítimas, entre eles dezenas de estrangeiros, foram marcados para terça-feira, horas depois de o governo ter imposto estado de emergência e disse que um grupo islâmico está por trás da violência.

No Santuário de Santo Antônio, em Colombo – onde dezenas de pessoas morreram enquanto se reuniam para orações do domingo de Páscoa – dezenas de pessoas segurava velas e rezava silenciosamente.

Alguns deles lutaram para conter as lágrimas e, quando os três minutos chegaram ao fim, a multidão começou a cantar as orações.

A polícia disse que 40 pessoas foram presas por causa dos ataques suicidas – a pior atrocidade desde o fim da guerra civil no Sri Lanka, uma década atrás.

Os ataques também foram os piores contra a pequena minoria cristã do país, que representa apenas sete por cento de sua população, de 21 milhões.

Investigadores estão agora à procura de pistas sobre o principal suspeito um grupo islâmico local nomeado – a National Thowheeth Jama’ath (NTJ) – que recebia “apoio internacional”, disse o ministro do gabinete e porta-voz do governo, Rajitha Senaratne.

O porta-voz acrescentou que não era possível que uma “pequena organização” realizasse tais ataques suicidas bem coordenados.

O gabinete do presidente Maithripala Sirisena disse que havia informações de que “grupos terroristas internacionais” estavam “por trás dos terroristas locais” e que ele procuraria ajuda estrangeira para investigar.

O estado de emergência,que entrou em vigor à meia-noite (18:30 de segunda-feira) deu à polícia e aos militares poderes especiais para deter suspeitos sem ordem judicial.

As autoridades também estão investigando por que mais precauções não foram tomadas depois que a polícia do Sri Lanka em 11 de abril recebeu um alerta de uma “agência de inteligência estrangeira”  informando que o NTJ planejava ataques suicidas contra igrejas.

Senaratne disse que a advertência não foi repassada ao primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe ou a outros altos ministros.

As tensões continuam junto com a segurança pesada depois que uma bomba descoberta pela polícia na segunda-feira perto de uma das igrejas alvo explodiu antes que a polícia pudesse desarmá-la. Embora tenha havido uma grande explosão , nenhum pessoa ficou ferida.

Os Estados Unidos relataram pelo menos quatro americanos mortos – incluindo uma criança – e a Holanda aumentou para três. Um bilionário dinamarquês perdeu três de seus filhos nos ataques, disse um porta-voz de sua empresa. Oito britânicos, e turistas da Turquia, Austrália, França, Japão e Portugal também foram mortos, de acordo com autoridades do Sri Lanka e governos estrangeiros.

Os suicidas atingiram três hotéis de luxo em Colombo, populares entre os turistas estrangeiros – o Cinnamon Grand, o Shangri-La e o Kingsbury – e três igrejas: duas na região de Colombo e uma na cidade de Batticaloa.

Duas explosões adicionais foram acionadas quando forças de segurança realizavam buscas por suspeitos.

A Interpol informou que está enviando investigadores e especialistas ao Sri Lanka, e o Departamento de Estado dos EUA alertou para possíveis novos ataques em um comunicado de viagem.

– Memórias da guerra civil –

A violência étnica e religiosa tem atormentado o Sri Lanka há décadas, com um conflito de 37 anos com os rebeldes tâmiles, seguido por um aumento nos últimos anos em confrontos entre a maioria budista e os muçulmanos.

Os ataques provocaram indignação local e internacional.

Dois importantes grupos muçulmanos do Sri Lanka emitiram declarações condenando os ataques, como o All Ceylon Jamiyaathuul Ulama, um conselho de teólogos muçulmanos, pedindo a “punição máxima para todos os envolvidos nesses atos covardes”.

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# Anne Cardoso

Anne Cardoso - Editora, colunista e também responsável pela gestão das redes sociais.

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