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Ciência

Jornal de Goiás – Cúpula da ONU termina com resistência dos principais países sobre ação climática

# Rachel Lima

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Jornal de Goiás - Cúpula da ONU termina com resistência dos principais países sobre ação climática

A maioria dos grandes países resistiu à pressão no domingo para intensificar os esforços para combater o aquecimento global, enquanto a cúpula climática da ONU se aproxima do fim, irritando países menores e um crescente movimento de protesto que está pressionando por ações de emergência.

As negociações da COP 25 em Madri foram vistas como um teste da vontade coletiva dos governos de atender aos conselhos da ciência para reduzir as emissões de gases de efeito estufa mais rapidamente, a fim de impedir que o aumento da temperatura global atinja pontos irreversíveis.

Mas a conferência, em seu curso final, aprovou apenas uma declaração sobre a “necessidade urgente” de fechar a lacuna entre as promessas de emissões existentes e as metas de temperatura do marco do acordo climático de Paris em 2015 – um resultado que o secretário-geral da ONU Antonio Guterres chamou de decepcionante.

Muitos países em desenvolvimento e ativistas queriam ver uma linguagem muito mais explícita sobre a importância dos países apresentarem promessas mais ousadas sobre emissões de gases à medida que o acordo de Paris entra em uma fase crucial de implementação no próximo ano.

Brasil, China, Austrália, Arábia Saudita e Estados Unidos apresentaram resistência a ações mais ousadas, disseram delegados.

“Essas conversas refletem como os líderes dos países estão desconectados da urgência da ciência e das demandas de seus cidadãos nas ruas”, disse Helen Mountford, vice-presidente de Clima e Economia, do think tank do World Resources Institute. “Eles precisam acordar em 2020”.

A falta de um resultado forte para reforçar o acordo de Paris aumenta as apostas para a próxima grande cúpula climática, em Glasgow, em novembro do próximo ano. Como anfitrião, o governo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson enfrenta a tarefa de convencer os países a apresentar planos mais ambiciosos para reduzir as emissões de carbono.

A cúpula de Madri deveria se concluída em duas semanas na sexta-feira, mas durou mais dois dias – um longo atraso, mesmo para os padrões de cúpulas climáticas.

Depois que as decisões finais foram tomadas, a ministra do Meio Ambiente do Chile, Carolina Schmidt – que atuou como presidente das negociações – disse que ela era “de emoções contraditórias”.

O país havia provocado indignação depois de redigir uma versão do texto que os ativistas reclamaram que era tão fraco que traiu o espírito do Acordo de Paris.

UM CRIME CONTRA A HUMANIDADE?

O processo estabelecido no acordo de Paris depende que países aumentem os cortes de emissões no próximo ano.

O esboço final reconheceu a “lacuna significativa” entre as promessas existentes e as metas de temperatura adotadas em 2015.

No entanto, ainda era visto como uma resposta fraca ao senso de urgência sentido pelas comunidades em todo o mundo atingidas por inundações, secas, incêndios e ciclones que, segundo os cientistas, se tornaram mais intensos à medida que a Terra se aquece rapidamente.

Guterres, que iniciou as negociações em 2 de dezembro, disse estar “desapontado”.

“A comunidade internacional perdeu uma importante oportunidade de mostrar maior ambição em mitigação, adaptação e financiamento para enfrentar a crise climática”, afirmou ele em comunicado. “Não devemos desistir e eu não vou desistir.”

Os delegados se consolaram em um acordo alcançado em Bruxelas na semana passada pelos 28 estados membros da União Europeia, exceto a Polônia, para atingir as emissões líquidas zero de carbono até 2050, sob um “Acordo Verde” para afastar o continente de combustíveis fósseis.

“Parece que a UE agora precisa ser o líder e queremos ser e vamos ser e é isso que estamos fazendo”, disse Krista Mikkonen, ministro do Meio Ambiente da Finlândia e representante da UE nas negociações.

As negociações ficaram atoladas em disputas sobre as regras que deveriam governar o comércio internacional de carbono, favorecido pelos países mais ricos para reduzir o custo de cortar as emissões. Brasil e Austrália estavam entre os principais destaques, disseram os delegados, e a cúpula adiou grandes decisões nos mercados de carbono.

“Como muitos outros expressaram, estamos desapontados por não termos conseguido mais um acordo”, disse Felipe De Leon, um funcionário do clima que fala em nome da Costa Rica.

Os países menores também esperavam obter garantias de ajuda financeira para lidar com as mudanças climáticas. A ilha de Tuvalu, no Pacífico, acusou os Estados Unidos, que começaram a se retirar do processo de Paris no mês passado, de impedir o progresso.

“Existem milhões de pessoas em todo o mundo que já sofrem com os impactos das mudanças climáticas”, disse Ian Fry, representante de Tuvalu, aos delegados. “Negar esse fato pode ser interpretado por alguns como um crime contra a humanidade.”

Rachel Lima é colunista convidado do Rio de Janeiro, especialista em economia, mercado, Brasil e mundo. E-mail: opiniao@opiniaogoias.com.br.    Os artigos são de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do veículo, sendo de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.

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