Esporte (não) é lugar para política? – Alienação ou falta de Formação

Pois bem, segundo Aristóteles “O Homem é um ser político”, pois este na socialização com seus pares transforma a sociedade das mais diversas maneiras em prol de um bem comum.

Apesar da Educação Física se debruçar nos estudos e pesquisas em torno do esporte, vez ou outra, surgem pseudo-especialistas embasados no achismo, que ganham a vida como “palpiteiros profissionais”. Todavia, quando tais falácias advém de uma emissora “você sabem quem”, por um porta voz bem simbólico do sistema “plim plim” de alienação, não podemos ser tão inocentes de pensar que os interesses por trás da desvalorização política do esporte seja apenas por ignorância, mas sim outros interesses de  adestramento da grande massa.

Mas vamos fingir que o apresentador “x”, que fez o desfavor de escrever a reportagem sobre “eventos esportivos não são lugares para manifestações políticas” o fez por desconhecimento ou mesmo pura ignorância. Na tentativa de ajudá-lo (ou envergonhá-lo) vamos tecer alguns comentários sobre algumas relações entre esporte e política, pautadas, sobretudo pela história e ciência, ao contrário do texto em questão do referido apresentador, que tive a infelicidade de ler.

Pois bem, segundo Aristóteles “O Homem é um ser político”, pois este na socialização com seus pares transforma a sociedade das mais diversas maneiras em prol de um bem comum. Nesse contexto, sabemos que o esporte é uma manifestação da cultura humana, a materialização dos bens culturais da humanidade expressos sobretudo pelas práticas corporais, todavia edificado pela história, política, filosofia, dentre outros elementos (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Sendo assim, o Esporte desde sua conceituação e constituição é política.

Sem delongas na gênese e conceituação do esporte, mas trazendo á tona exemplos emblemáticos de como o esporte influenciou e foi influenciado pelas relações políticas da sociedade. Pois sim, ao contrário da alegação infeliz do representante global, o esporte sempre esteve vivo de alguma forma nos momentos sociais de luta e resistência.

O atleta Jesse Owens, foi protagonista nas Olimpíadas de 1936, em Berlim. Uma Olimpíada manipulada por Hitler que queria utilizar dos jogos como forma de mascarar seu regime cruel e autoritário, ao mesmo tempo em que buscava reforçar suas teorias eugenistas. De acordo com Ferreira (2002), Owens jogou por terra a teoria da superioridade nazista, pois além de suas X medalhas, venceu um atleta alemão em uma final de modalidade específica. Owens respondeu ao racismo, descaso e ameaças nazistas com a vitória, que representou um ato político de extrema coragem. De fato, tenho certeza que a representatividade de Owens no esporte é maior que a de palpiteiros de plantão.

Além desse exemplo emblemático, para quem sabe ensinar algo aos “Big Desinformados Brasil”, não podemos nos furtar de citar Muhammad Ali, que preferiu perder um título mundial a lutar no Vietnã, assumindo seu papel social como personalidade esportiva; Tommie Smith e John Carlos, que empoderaram a luta dos negros em pleno pódio, se manifestando contra o racismo extremo nos EUA, nas Olimpíadas de 68; Kathrine Switzer , que enfrentou as barreiras impostas na tradicional Maratona de Boston, sendo a primeira mulher a participar na competição. Todos estes exemplos supracitados influenciaram direta ou indiretamente nas transformações sociais de cada período historico, evidenciando mais uma vez o viés político do esporte e dos esportistas (LEIRO ET. AL, 2010).

No momento que vivemos em que são comuns ataques a qualquer concepção crítica de sociedade, não é surpresa ver maquina midiática buscando a desconstrução do potencial e relevância do esporte em processos de resistência, luta e política. Mesmo assim, deixo minha singela contribuição aos “Palpiteiros de plantão”, para quem sabe eles parem de “achar” e comecem a entender que o esporte diz respeito história, sociedade, cultura humana, conhecimento e, com toda certeza política.

 

Leonardo Andrade – Professor, Pesquisador e Palestrante.

[email protected] / @leonardoandradeprof

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