Especial Opinião Pública com Coronel Avelar Lopes de Viveiros: As continências nas Olimpíadas 2016

Especial Opinião Pública com Coronel Avelar Lopes de Viveiros: As continências nas Olimpíadas 2016

Um gesto simples vem chamando atenção da imprensa nacional nos torneios esportivos já de algum tempo. Em 2016, com as Olimpíadas ocorrendo no Brasil, tal gesto tem recebido maior atenção, ao ponto do Ministro da Defesa ter que ir a um programa de televisão esclarecer o ocorrido. Como o próprio ministro cometeu um grave engano, resolvi eu mesmo utilizar este espaço para fazer alguns esclarecimentos.

            Primeiro é importante dizer que as forças armadas, e até mesmo forças auxiliares, a exemplo das Policias Militares e Corpos de Bombeiros, tem na atividade física um elemento indispensável na preparação de seus profissionais que, não raro, precisarão de condicionamento físico para o exercício de suas missões. Assim, não é incomum que instituições militares tenham em suas escolas de formação, centros de Educação física bem equipado e com professores e técnicos altamente especializados. Destacam-se entre estes centros a Escola de Educação Física do Exército e a Escola de Educação Física da PM de São Paulo, ambas de nível superior.

            Aproveitando-se desta situação, e visando melhor aproveitamento dos recursos já disponibilizados, os Ministérios do Esporte e da Defesa criaram em 2008 um projeto visando dar suporte aos atletas de alto rendimento que disputariam os jogos militares em 2011 no Rio de Janeiro. Note que não foi um programa novo, pois as FFAA já investiam em seus atletas; o que se fez foi ampliar o projeto para alcançar mais atletas de alto desempenho. Para isto, o Ministério da Defesa investiu 3 milhões em novos equipamentos e disponibilizou, do seu orçamento, cerca de 15 milhões para pagamento de salários. As Forças Armadas têm hoje neste projeto cerca de 21 mil atletas em treinamento. Entre estes, 670 são atletas de alto rendimento sendo 76 deles profissionais de carreira e 594 prestam serviço temporário, de 8 anos.

            Nas Olimpíadas de 2016, dos 465 atletas que representam o Brasil, 145 são militares. Muitos optam por manter seus treinadores, mas contam com um suporte logístico e financeiro imprescindível para o desenvolvimento de sua carreira. Este é o papel que os militares vêm fazendo, para além de suas atividades inerentes. Estão investindo verdadeiramente na imagem e no futuro do país. Este é o vinculo de alguns atletas com os militares.

            A questão da continência, regulamentada pelo decreto nº 2243, de 3 de junho de 1997, numa versão atualizada já que continência data da origem das próprias forças militares, define o gesto como um ato de cortesia e respeito entre militares. Tanto assim, que não é devido exclusivamente a superior hierárquico, como muitos pensam, mas trata-se de gesto de cumprimento entre pares, deve ser dispensado a subordinados e até mesmo a civis. Então, se o militar te faz continência, não se constranja: responda com um cumprimento.

            Por ser um ato de respeito, é dispensado também aos símbolos Nacionais tais como ao Hino Nacional e à Bandeira Nacional no ato de ser conduzida ou hasteada, conforme preconiza os artigos 14 e 15 do referido decreto.

            O Ministro da defesa equivocou-se no referido programa jornalistico ao dizer que os atletas militares tinham a discricionariedade para fazer o gesto ou não durante a execução do Hino na entrega de medalhas. É politicamente correto o Ministro dizer que o atleta tem esta liberdade, ainda mais num canal de televisão. Mas nem tudo que se tornou politicamente correto hoje é o certo. Na verdade, o militar não tem esta possibilidade de ignorar a continência, a menos que a tomada de postura o exponha a risco, exponha a terceiro, ou o impeça de cumprir uma missão urgente. Por ser uma atitude de respeito, todo militar tem, por força deste decreto, a obrigação de fazer a continência para a execução do Hino Nacional. E isto não deveria ser motivo de espanto para nenhum de nós. Ao conhecer o contexto, só encontramos motivo para nos encher de orgulho. Que venham mais medalhas e que todos compreendam o significado de respeito aos valores nacionais. Minha continência.

Coronel Avelar Lopes de Viveiros é comandante do 16º Comando regional da PM

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Avelar Lopes de Viveiros - Opinião Pública

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