Especial com Rafael Aparecido Mateus de Barros: O encantamento do mundo

Como usam a matemática para mentir, é só olhar as matérias sobre o crescimento econômico desde 2016.

Esses dias no Brasil é muito fácil identificar como os donos do poder mentem. Como usam a matemática para mentir, é só olhar as matérias sobre o crescimento econômico desde 2016. Estão nos dizendo, bando de otários! A economia crescia 4% daí cai, abaixo disso, depois, segundo os economistas, se baseando na matemática e na futurologia, dizem que dois anos depois há um “crescimento” de 0,1% e tem um batalhão de jornais para ratificar, gente engravatada na frente da tevê: “Cresceu, melhorou, retomou o caminho”.

Semana passada, aconteceu uma coisa inédita, o ex-presidente Lula foi preso; e logo depois, veio a “pesquisa de intensão de votos”, aí os “especialistas” em matemática, como os novelistas da Globo, pendem para você imaginar uma sociedade que não existe e nessa sociedade indique qual daqueles candidatos votaria, daí o eleitor imagina uma sociedade em que o Lula seria votado. O “Lulão”, aparece como melhor opção até na hipótese estatística (https://www1.folha.uol.com.br/…/prisao-enfraquece-lula-e-po…).

Ontem, veio a luz, a matemática “ouroboros”. Uma pesquisadora olha para o banco de dados, acerca do desempenho dos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), e dele deriva afirmações tão absurdas. Quando li o texto, pensei nos programas de tevê da Universal que os caras chegam com uns boletos e umas promissórias e aí o pastor conjura deus e o cara recebe uma ligação, e definitivamente a dívida está perdoada, o banco faz um depósito na conta que permite o cara virar empresário. Assim, fez a pesquisadora, a pessoa pegou uma série histórica e estabeleceu que nessa amostra uma correlação estatística na qual a Filosofia e a Sociologia foram responsáveis pelo desempenho abaixo do esperado, pelas estimativas, outra vez, estatísticas de organismos multilaterais responsáveis pela razia praticada por governos neoliberais, como o atual governo brasileiro. Debruçada sobre um banco dados, fez os testes que melhor demonstravam aquilo que queria ver, respirou aliviada e foi dar uma entrevista pra Folha.

Vejamos, se um sociólogo ou socióloga que soubesse uns 20 idiomas, tivesse publicado em 40 outros, fosse criticar aquela pesquisa, a primeira coisa que diriam para ele, seria: “o senhor é iniciado em estatística?”; quer dizer, estamos no campo da religião aqui, afinal não se questiona o milagre justamente pela sua natureza milagrosa, não se questiona o dogma em razão da tua essência divina. E a matemática? A estatística? Não se questiona porque na religião dos metodólogos o método e a metodologia são como artefatos ritualísticos que os curas da economia, da estatística e da matemática manipulam para desvendar o que é verdadeiro e o que é falso. E em verdade vos digo, nenhum mortal está à altura das palavras de deus. Amém!

Rafael Aparecido Mateus de Barros

Mestre em Sociologia

Professor e apreciador de Futebol

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Rafael Aparecido Mateus de Barros - Opinião Pública

Rafael Aparecido Mateus de Barros é Mestre em Sociologia, Professor e apreciador de Futebol.

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