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Especial com Marcos Manoel – O “MILAGRE” DO ANO ELEITORAL

O “milagre” da multiplicação de obras públicas; uma verdadeira “caça as bruxas”, ou melhor, aos corruptos e percevejos das estatais e da oposição, que vivem como roedores no submundo político, usufruindo das conveniências e benesses que só a impunidade de uma legislação benevolente garante.        

Ano eleitoral é realmente atípico! Penso até, que as eleições deveriam ser anuais! Quem sabe assim, as mazelas do país, teriam prazo de validade bem menor. Teríamos os “milagres” de um ano eleitoral, com muito mais frequência. As expectativas estão afloradas, os canalhas ainda mais audaciosos, os discursos acirrados e odiosos, as promessas messiânicas, os ratos ainda famintos, os batedores de panelas montados em seus patos alados e de esperanças renovadas, o tilintar de ferraduras e a fé nas mudanças, “um grão de areia, frente ao oceano”!

O “milagre” da multiplicação de obras públicas; uma verdadeira “caça as bruxas”, ou melhor, aos corruptos e percevejos das estatais e da oposição, que vivem como roedores no submundo político, usufruindo das conveniências e benesses que só a impunidade de uma legislação benevolente garante.

Já que os “caçadores de marajás” e os puritanos de plantão, sob tetos de vidro só se manifestam em ano eleitoral, precisaríamos criar mecanismos, para que estes hipócritas e covardes se manifestassem pela obrigação e pela justiça e não, pelo oportunismo eleitoreiro.

Habituados a um Brasil de Dalí, de uma direita que um dia foi esquerda, e no poder, se perdeu entre a corrupção e a incompetência. Com uma oposição que atrapalha mais que fiscaliza e auxilia, que em meio a tantas pseudoideologias, já não sabe mais se é esquerda, centro ou direita. Interesses político-partidários, acima dos interesses do povo. Um verdadeiro “Fuá na casa de Cabral”, um samba lelê do “crioulo doido”, que não tem patoá que dê jeito e não há quem não perceba.

De um lado, os candidatos da “renovação” e suas míseras realizações, com a reeleição nas mãos, usam escancaradamente a máquina pública a seu favor e uma propaganda eleitoral que nem nos contos de fadas, seria possível existir! Do outro, as bizarrices de alguns lunáticos, bem como, com suas asnáticas promessas, colocando em xeque o já incerto futuro, bem mais que o comprometido presente!

Portanto, a memorável festa da democracia, aos poucos vai se tornando um grande espetáculo circense, o povo no picadeiro no papel de palhaços, aplaudidos pelos corruptos, que deveriam estar nas jaulas, destinadas a outros animais, em um show melancólico que riso sem dente de bocas famintas, palhaços esqueléticos, choram pela dor da indiferença e da exclusão de um país de verdade, que parece mentira!

No debate moral, chegamos ao fundo do poço mais uma vez. Um embate que vai do nada para lugar algum. Situação e oposição fazem da corrupção a tônica eleitoral. No duelo de corruptos e propinas, ambos se reconhecem neste mar de lama fétido, perverso e imoral. Em um vergonhoso troca-troca de acusações, estão “todos”, na verdade, no mesmo barco e de mãos dadas. Se a corrupção não é exclusividade e nem invenção do partido A, o B, também se isenta! “A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa”, como disse Jô Soares. Ou seja, ambos durante todo pleito, não se discutiu políticas efetivas e ações diretas de combate à corrupção, e sim, quem é mais ou menos corrupto; quem teve mais ou menos processos de corrupção engavetados; quem absolveu mais ou menos corruptos que o outro. Como se corrupção, fosse cultural, normal ou natural. Caráter está além de qualquer convenção. Ou se tem ou não. Realmente, estamos bem de candidatos!

O grande dilema nacional na hora de votar continua o mesmo: não é questão de escolher o melhor e sim, o menos ruim. O menos mentiroso, o menos hipócrita, o menos corrupto, o menos incompetente! O critério é cada vez maior, para candidatos de qualidades cada vez menores, lamentavelmente. De parte a parte, de ponta a ponta, com raríssimas exceções, tão raríssimas e pequenas, que se tornam quase imperceptíveis aos olhos de míopes eleitores.

Acredito, que a renovação talvez, começaria por uma reforma eleitoral séria e mais criteriosa na escolha de quem de fato, poderia candidatar-se. Se para quase tudo requer qualificação, formação, certificado, diploma e etc., candidatar-se a qualquer cargo público, muito mais que exigir antecedentes criminais, dever-se-ia exigir algo mais, como competência, por exemplo.

O discurso é o de sempre e já vem pronto. A miséria que dá voto e desgraça que se perpétua em nome do voto de cabresto, em currais eleitorais de eternos coronéis, líderes religiosos, que de posse do poder, apoderam-se dos mecanismos legais, para manter o status quo. Ou seja, o que mudará este país é a mentalidade do povo, que vive e o constrói, não os políticos. O modo como a política e o governo andam hoje é apenas um reflexo disso.

E assim, caros leitores e eleitores, obras abandonadas, paradas há mais de dez anos, umas mais outras menos, são “milagrosamente” retomadas; como no mito de Fênix, ressurgem das cinzas; a toque de caixa ou superfaturadas, o país vira um colossal canteiro de obras. Criminosos perigosíssimos cometendo crimes – assaltos, assassinatos – há anos, são “milagrosamente” presos; obras prometidas em campanha há 4 anos, começam a sair do papel no último ano de mandato – ano eleitoral e dos “milagres”; ferrovia Norte-Sul; transposição do São Francisco; Transnordestina; Jirau e Belo Monte… Salve, salve a reeleição, o mais eficiente cabo eleitoral e financiador de qualquer mentira, que “repetida mil vezes, torna-se verdade”, Joseph Goebbels.

 

 

Marcos Manoel Ferreira. Professor, Pedagogo, Historiador, Escritor.

Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior. [email protected] e www.vozesdasenzala.blogspot.com.br

 

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Marcos Manoel Ferreira, Professor, Pedagogo, Historiador, Escritor. Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior.

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