Especial com Marcos Manoel – O ASNO RUGIU E A CORUJA EMUDECEU

Era uma vez um lugar kafkiano, governado por um lorpa e uma plateia no lugar do povo. Um reino chamado de Equus asinus Brazilis abundantemente farto de relva fresca e feno para deleite de uns.

Romãozinho reinava na Xara e a balbúrdia das moto-serras em reservas, sinfonias para embalar madeireiros amigos rei, sob o manto da lei cega quando quer e censura quando convém. A obscuridade que insiste em não dissipar, entre densa e fria névoa, tímidos lampejos de sensatez, permeando tempos sombrios, em meio aos confetes da insanidade! Cenário de terra arrasada, frente à histeria da ignorância coletiva, a outrora esférica, agora planificada, quadrada como muitos de seus habitantes, beócios em êxtase e seus pares encangados, numa marcha fúnebre da ciência.

O espetáculo circense com os três patetas a tira-colo, sob as luzes da ribalta, os arautos da moral, esbaldando on no picadeiro da parvoíce triunfante, ante o big boss encantador de serpentes, dos cordeiros de Deus em pele de lobo. O patético show da mediocridade genética e o tinir de cascos com distintos privilégios.

O sibilante som do berrante na alvorada, ovacionam os impropérios, marcham sincronizados os bestiais carrapatos, camuflados no vergel, banqueteando ao lado de carcarás e hienas, milicianos selvagens, travestidos de justiceiros da natureza. Seara fértil de frutas cítricas de sabor amargo da hipocrisia, exalando fétidos odores de fantasmas eleitorais e aspones fiéis! O surreal da goiabeira que bicho da fruta podre só atinge miolo de pote dos resquícios da dignidade.

Na selva dos horrores, em meio a tanta cana doce, macaco chupa taboca; raposa vigia galinheiro e o rei zurra verborragicamente, diante da bizarrice fecunda em cascatas de golden shower!

Os idiotas úteis e puxadores de carroças, sob a égide do chicote do deboche, donas da esbórnia universitária que transformam o Equus asinus Brazilis em zona do baixo meretrício, frequentada por nobres de família e bajuladores do enviado imolado, que resistiu ao sacrifício.

Fracassado e exilado das trincheiras, do ostracismo ao estrelato, guiado pelo cajado do iluminado mentor, sonhando com um mundo virtual, como as pulgas, sonham em ter um cachorro. O pandemônio nos recônditos dos laranjais, sob a mira dos paladinos da moral, carniceiros de garras afiadas, prontos para o abate dos idiotas úteis.

Suplício da coruja que pasma, emudeceu. Na via crúcis do periférico reino das bananas, laranjas e goiabas, terra para gringo nenhum botar defeito. O calvário da floresta frente ao machado da arrogância e da soberba, do alto planalto na pedra do rei, o asno ruge! Em meio aos mortos insepultos e os espectros do passado, a bússola sem rumo, apontando para o fiasco.

O pavor dos animais entocados e a algazarra dos ratos, cupins e percevejos em conta-gotas, afortunando-se com o alheio. O  delírio do Pai do mato, fuzilando o Negrinho do Pastoreiro, a Mula sem cabeça e o proselitismo para os Três Porquinhos, para que Saci Pererê, jurasse de pés juntos, que tudo mudou, para continuar pior do que estava!

Marcos Manoel Ferreira, Professor, Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Claretiano Centro Universitário, Pós-Graduando (Especialização) em História e Cultura Afro-brasileira e Africana; Mestrando em História – Cultura, Religião e Sociedade – pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). [email protected], www.vozesdasenzala.blogspot.com.br

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Marcos Manoel Ferreira - Opinião Pública

Marcos Manoel Ferreira, Professor, Pedagogo, pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com Habilitação em História da Educação Brasileira; Historiador, pelo Claretiano Centro Universitário, Pós-Graduando (Especialização) em História e Cultura Afro-brasileira e Africana; Mestrando em História – Cultura, Religião e Sociedade – pela Universidade Estadual de Goiás (UEG). [email protected], www.vozesdasenzala.blogspot.com.br

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