Especial com Alcivando Lima – SERÁ QUE COMBINARAM COM O H1N1?

“Os governos são o problema e agem como se fossem a solução.” Batista Custódio – Jornalista

Senhores governantes, vosso sacrossanto processo de assistência à saúde pública sangra. Numa vista rápida numa Unidade Padrão, contei quase uma dezena de placas com siglas que, na minha santa ignorância, todas tem uma só finalidade: Dar assistência à saúde do povo. Ora, cada uma dessas unidades remete a uma nomeação de um presidente ou superintendente, secretárias, corpo médico e suas ramificações, corpo administrativo, apoio logístico, veículos, empresas para cuidar da segurança, limpeza e manutenção, que, somados, supera o número de habitantes daquele lento e melancólico bairro e olhe que nem todos que lá habitam estão a necessitar de serviços médicos, donde se constata que tem mais caciques que índios e o gasto com tudo isto daria para construir hospitais com quadros médicos e equipamentos de primeiro mundo. O corpo médico é coisa que nunca se vê. Parte de um todo apareceu ou só veio um terço e isto provoca explosivas reações, fatalmente contornadas pelos educadíssimos guardas que acodem brandindo seus cassetetes e, com jeito de vamos acabar logo com isto, enfiam seus trabucos na cara de quem tem o topete de se rebelar.

Com raras exceções, sempre se é atendido por funcionários estressados e taciturnos que conseguem abalar seus nervos e fazê-lo sentir-se na condição de excluído e se é vacina você recebe um“tinha”, mas acabou de acabar ou vai chegar às 13 horas, viu? Senti na pele e na alma ao me dirigir a uma dessas unidades, onde, como disse, contei muitas placas todas com slogans ou siglas que arredondam num só lugar: Promover o bem estar do pai, da mãe, da filha e do filho e você imagina que está na Suécia e que será prontamente atendido. Então, o atendente, (só um, os outros foram tomar café ou foram ao banheiro ou estão a coçar o umbigo), fixa-lhe uns olhos de galinha assustada e lhe pergunta se trouxe o comprovante de endereço ou se o sabes de cor. Senão, não! E você os humilha movendo a cabeça pra cima e pra baixo e cita a rua, quadra, lote, CEP, RG e CPF, o que vem suscitando preocupação de alguns cunhados seus de que a qualquer instante venha sofrer um acesso de catar e jogar pedras nos outros e unanimamente concordam que o melhor é a sua imediata internação num manicômio.

Quase fui masgaiado nos dentes pela lindona servidora ao tomar conhecimento de que estou lá para tomar vacina contra a gripe. Pela flechada do teu olhar, logo deduzi que deveria deixar de ser bocoió, e prestar atenção nos tantos avisos esparramados pelas paredes: — Ocê não leu aquele quadrim não? Volta lá e leia e, se não entender nada, venha aqui preu te explicar, vai! — Após encontrar conforto em me espinafrar, enfiou os dedos na sua linda cabeleira arruivada e, num revolteio mágico, construiu um garboso coque ao tempo que murmurava num inaudível muxoxo: Trem bobo! — Por um pispiozinho de nada, por uma lasquinha de uma sementinha bem pititinha, mas bem pitititinnnnha mesmo, que eu solto um palavrão. Não o fiz porque um lasca dum trovão ralhou grosso lá fora e eu, precatado, murchei a orelha a tempo de não cometer essa asneira. Com muito custo achei o quadrinho espremido no meio dos quadrões li que grupo xis é tal dia e grupo ipisilone é dia tal. As cambalhotas dos trovões me amedrontaram e impediram-me de perguntar àquela doce beleza, se os doutos da área da saúde haviam combinado para o H1N1 não atacar os velhotes antes do dia aprazado. Heim?… Combinaram?… E saí de queixo erguido, pisando duro e bradando um inaudível: Trem Feio!

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