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Especial com Alcivando Lima – OS CARNAVALESCOS E SUAS EXUBERANTES ESCULTURAS

“Se a única coisa de que o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o carnaval no próximo ano.” Graciliano Ramos

O que agora me atrevo a contar, já foi escrito centenas, milhares de vezes, mas não com os olhos carregados dos maravilhosos personagens da vida cotidiana nas suas diferentes faces, ângulos, lados multicoloridos de um colibri, ou o quadro Os Girassóis, um Monaliza ou os Alpes Suíços, a Baía de Guanabara, o Golfo de Nice ou obras de Caravaggio, Picasso, Van Gogh, Claude Monet e muitos outros.

São milhares de belezas desfilando freneticamente sob as estrelas ou debaixo de chuva por cerca de oitenta minutos. Belezas que esses carnavalescos artistas ou artistas carnavalescos, conseguem ordenhar das estrelas sua pulsação brilhante, suas miçangas, papeis coloridos, metais, madeira e confetes numa montagem que só quem tem a alma, o dom de manejar pincéis ou cinzéis é que busca e persegue, sem trégua, uma visão, uma miragem que fala por si só e se falasse ninguém acreditaria.

Eles, às vezes anônimos carnavalescos, incorporam Michelangelo, Rodin, Donatello, Leonardo Da Vinci ou um Victor Brecheret, cujas obras a gente fica louco para emoldurá-las num quadro, transformá-las em afrescos ou esculpi-las em mármore para todo o sempre.

A cada surgimento de uma ala movida pela harmonia de seus clarins, dos surdos de primeira, segunda e terceira, das caixas de guerra, das caixas de repique, chocalhos, tamborins, cuícas, reco-recos, pandeiros, agogôs, pratos e maracas, despontam monumentais esculturas carregando uma beleza fascinadora das quais nos tornamos Pigmaleãos seduzidos por suas Galateias.

Essas mulheres e homens admiráveis, ditos carnavalescos, são criaturas divinas dotadas de habilidades que tem o efeito de aplacar o desalento de um povo sofrido que vive num país riquíssimo e sofrem na pele e na alma e pagam com o estômago a ladroagem cometida pelos ladrões políticos e pelos políticos ladrões.

Esses maravilhosos carnavalescos tem o poder de mascarar, em curtíssimo espaço de tempo, o fosso que escancara a insalubridade de grande parte da população brasileira que samba e pula agarrada à sua alegre e ubertosa fantasia, espantando o medo, a desesperança e o desalento. São majestades, são reis e rainhas utópicos que reinam por menos de uma centena de minutos com um glamour que nenhum rei ou rainha de verdade são capazes de ter, por que são feitos de suor e sangue ao passo que os reis de verdade se cobrem com um tecido esgarçado que se rompe a cada solavanco da vida.

A cada ano, esses brilhantes, verdadeiros e engenhosos heróis dos carnavais tiram, ao crepúsculo matinal, a poeira das capas dos livros da carochinha e os transportam para a Marquês de Sapucaí provando, mais uma vez, para um mundo extasiado de tanta beleza, ginga, cadência e sensualidade que somos o mais alegre povo sobre a face da terra.

Especial com Alcivando Lima – OS CARNAVALESCOS E SUAS EXUBERANTES ESCULTURAS
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