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Especial com Alcivando Lima – ONDE ESTÃO AQUELES OUTROS?

“Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem.“ Bertolt Brecht – (Site: Citações e frases famosas)

No verão, o tempo vira uma fornalha a convidar a gente para um passeio no bosque dos buritis ou lago das rosas e aproveitar um ventinho calmo, moderado, sem os atropelos do trânsito enlouquecido das ruas. Topa-se com um conhecido e mais outro e de repente tem uma turma a tagarelar sobre o governo e suas ações ditas benditas que se alonga num boteco copo sujo no remate do dia com abordagens de temas que são assustadores e o desânimo sobe com o calor a 40ºC e os vapores etílicos subindo na mesma proporção.

Um de nós aborda um texto do professor e sociólogo Vitor Fernandes e um outro da uma palhinha da “conversa afiada” do jornalista Paulo Amorim. São duas obras primas que traduzem o massacre midiático sobre a cabeça do povão, incitando-o a combater, sem trégua, aquele que não tem ideologia nenhuma e se disser alguma coisa é taxado como comunista, coisa que ele ainda desconfia que seja uma espécie de gente que come criancinha assada no espeto.

O professor sente orgulho de si próprio ao tempo que fica decepcionado ao ver jovens dizendo que vacinas causam doenças, a terra é plana e que o nazismo é de esquerda e que nunca houve ditadura em nosso país. Na escola pública alunos apregoam que o estado tem que privatizar tudo, mal sabendo esses alunos que nunca dariam conta de pagar uma escola privada e muito menos um plano de saúde, contudo, acham que se se privatizar tudo, amanhã serão, eles, a elite. Vivemos num mundo onde um prestidigitador, num passe de mágica vai acabar com os bandidos e com a corrupção, onde a cartola é trocada pelo facebook, youtubers, etc.

No conversa afiada, Paulo Amorim pergunta o que aconteceu com os delatores da lava jato e adjacências que moram em condomínios de luxo, com quadra de tênis, campos de golfe, academias, restaurantes com chefs de renome e o escambau, apesar de terem sido condenados a dezenas de anos de cadeia .

Comentou-se, também, o discurso de um jovem deputado do nordeste onde ele afirma que um professor ganha dois mil e duzentos reais deve ser o primeiro a gozar dos frutos ou será o juiz de mato grosso que recebeu, em um mês, mais de quinhentos mil reais em verbas atrasadas alegando pleno direito e o coitado que está estirado num chão duro do hospital não tem direito ou o direito do juiz sobrepõe o do coitado estirado no hospital? Para o pobre fica o resto, isto é, depois de atender as necessidades dos parlamentares, dos deuses do judiciário, do “Pantagruel” do executivo e o que sobrar do Brasil real a gente passa para eles, os pobres do Brasil oficial.

E o nosso falante suspirou, deu uma pausa e após agitou com desenvoltura o cigarro em seus lábios como se estivesse num jogo de malabares e sob a parca luz do sol poente, varreu a platéia com uns olhos inquiridores à cata de dúvidas de sua força retórica e como não encontrou contra argumento, levantou-se e se despediu com uma expressão matreira.

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