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Especial com Alcivando Lima – O POVO? ORA, O POVO!

“Nenhum gesto de gentileza, por menor que seja, é perdido” Esopo – fabulista grego – 620 a.C/564 a.C

Em pé aguardo e antes de me adentrar na confortabilíssima gaiola do transporte coletivo, recebo uns oitenta safanões de uns cavalheiros apressados em se sentar primeiro, com uns reclamando que gente velha devia pegar um rosário e ir catando parafuso, porca e ruela até chegar à sua igreja e outros xingam os velhos, esses montes de merda que estorvam o trânsito com suas bengalas, em vez de irem pra puta que os pariu.

Uma vez lá dentro, continuo em pé e estico minhas orelhas de abano para ouvir comentários elogiosos às mães dos políticos que esqueceram o prometido nas campanhas eleitorais. Desta vez foi a choramingada de um proprietário de um caminhãozinho toco, afirmando não entender patavina de economia, mas entende como ninguém do custo do arroz, do feijão, da carne, do litro do leite e do combustível. A cada aumento, o preço de tudo vai pra estratosfera. — Gente! — Exclamou ele — Tem muita gente que vive da renda de um só caminhão que sustenta a família e mais os filhos das filhas enxertadas por uns bacanas que caíram na saroba negando paternidade e o besta do avô é quem paga o pato. Bastou um gesto de interesse coletivo, um gesto de grandeza do presidente Bolsonaro impedindo o aumento no preço do diesel para o mundo econômico desabar sobre sua cabeça com respingos na economia mundial. Ora — segue o indignado — o acionista da Petrobrás berra de lá que levou na tarraquêta e os entendidos de cá vituperam que a estatal perdeu num sei quantos bilhões de reais por única e exclusiva culpa dum presidente coió que entende tanto de economia quanto entende de física quântica e aí vem alguém que é pai-d’égua nesse troço de mercado internacional e dá um revestréis na boboquice do presidente, alertando-o que os rumos da estatal são traçados pelo mercado internacional e ninguém, nem mesmo Vossa Excelência, pode meter a colher de pau, ta me ouvindo? — Presidente — continua o furibundo caminhoneiro — os produtores e exportadores de petróleo do mundo impõem suas políticas de preço para continuarem vivendo nababescamente em seus suntuosos palácios onde o sol faísca nas torneiras de ouro, e eu imploro para o senhor continuar praticando atos que beneficiem diretamente o povo e não deixe esses burocratas amancebados lavar a égua sobre o aperreado povo brasileiro. Atos que, parafraseando o jornalista Mário Simas Filho, engrandeceram o senhor quando forneceu aos seus governados uma grande pitada de caráter ao barrar esse aumento do diesel e de extinguir o abominável horário de verão e de acrescentar umas gramas de assertividade ao fustigar um pé-rapado qualquer ser tratado por Vossa Excelência. — Falou e expirou um monocórdio lamento ao saber que a estatal pode enfiar pode enfiar o pé na jaca aumentando o preço na hora que quiser sem dar satisfação a seu ninguém.

— Heim? … Pode? … E o povo? …  Pare a gaiola que eu quero descer!!

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