Especial com Alcivando Lima – NOSSOS PRANTOS

“Quem não sabe o que é a vida, como poderá saber o que é a morte?” Confúcio

A humanidade tem ciência da iminente morte. Sofremos calafrios ao pensar que podemos ser o próximo de uma serpejante fila que sempre aumenta.

Quer sejamos ricos ou pobres, quer estejamos em lindas florestas ou nos prados verdejados ou nos picos das montanhas ou singrando mares nunca dantes navegados ou mesmo explorando soturnas cavernas, o estremecimento nos arrebatará dos braços de quem amamos ou nos abaterá numa contenda com inimigos ou seremos alvos fortuitos da fatalidade de recebermos um balaço de um marginal que, num assomo de extrema covardia, experimenta sua nova arma atirando a esmo.

Estoico é aquele que consegue aguardá-la com naturalidade. Contudo, não conheci ninguém com essa resiliência. A maioria morre de medo de morrer. Na hora do caixão rumar à catacumba, o coração dispara, se despedaça e se dissolve como uma geleia ao saber que aquele ente querido ao pó esta retornando ou virando cinzas e se foi sem retorno.

O imortal da Academia Brasileira de Letras, Ariano Suassuna, certa vez disse: “Na minha visão, o homem não nasceu para a morte, nasceu para a vida e para a imortalidade”.

A dor é imensurável por aquele que lhe é simpático e com ele tem afinidade entre música, poesia e artes em geral, vivendo uma vida conjugal entremeada de sal, doçura e percalços dos mais variados e você o perde para o câncer ou outras doenças que o massacraram por um longo período de sofrimento físico e o sol se apaga, as esperanças esvanecem e o sorriso abre espaço ao esgar e expõe os nervos destroçados fazendo o sentido da vida desaparecer.

Filhos? Pela ordem natural, tem a incumbência de inumar seus pais e nunca, jamais, o contrário.

Se ocorrer o inverso da ordem, o que é injusto, imitamos, de forma grotesca, Edvard Munch, ao estampar “O Grito” nas suas quatro telas, tendo como plano de fundo tão somente nosso desespero.

Imaginamos, sem transbordar pieguismo, a dor sofrida por quem perde a quem se ama, mas, o máximo que conseguimos é oferecer nosso ombro para o amigo derramar seu pranto.

Morte. Certeza imperscrutável que assusta a maioria da humanidade.

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