Especial com Alcivando Lima – ISABEL e ISRAEL

“Deus não criou o mal. O mal é o resultado da ausência de Deus nos corações dos seres humanos” Albert Einstein

Um grupo de velhotas e velhotes estava a zanzar dentro de um super shopping da nossa Goiânia. Todos portavam um Smartphone mais ou menos chique do que o do vizinho ao lado.

As velhotas fotografavam incessantemente a estátua de um herói grego peladinho da silva e os velhotes vidrados nos desnudados manequins femininos, nos mini-biquínis, nas tangas e nem deram fé que uma das velhotas despencou-se ao chão sem dar nem um pio e só pararam de fotografar aquela indecência quando um moleque gritou, tentando puxar a saia da mãe, mas, coitado, a mãe tava vestida com calças jeans rasgadas no joelho, virilhas e muitos outros rasgos com alguns deles muito próximos da braguilha e quase que o moleque enfia a mão onde não deve. Alertada, a turma corre para acudir a companheira e na carreira algumas tropeçam, sabe-se lá onde, e despencam-se com medonhos baques surdos das banhas batendo no chão e se atropelam e esmagam alguns Smartfones, mandando pras cucuias as fotos do machão pelado.

— Quê que foi meu deus do céu? Quê que é isso, menina? É nisso que da ficar sem comer pra manter a forma, que regime mais besta, credo! — comentou uma.

— Que mané regime, siô! — Retrucou a que caiu primeiro, de olhos arregalados — É que não aguento ver tanta indiferença com o sofrimento alheio, tanta desigualdade, tanta maldade espalhada no mundo que dá vontade de fuzilar os burocratas que vivem puxando o saco do chefão, dizendo-lhe: Taí chefe, fizemos isto para economizar naquilo e lá na ponta final vai sobrar mais bufunfa pra fazermos mais isso e mais aquilo.

— Não estamos entendendo esse troço que você ta falando!— Prosseguiu a mais chegada.

— Tô falando disso aqui, ó! — e mostrou na telinha um vídeo da Isabel fitando a câmera com expressão angustiada, enquanto tentava segurar, com enorme esforço, seu filho Israel, pispiando completar vinte anos de idade. Isabel, esbaforida pelo enorme peso do esqueleto do filho, quebra o silêncio rogando a Deus para que as autoridades tenham dó e voltem a pagar o benefício de um salário mínimo que ele, Israel, por ser cem por cento incapaz, recebia do instituto de seguridade. Os burocratas alegam que sua mãe, Isabel, trabalha e, portanto, tem condições de sustentá-lo. A imagem da Isabel tentando suster Israel (rapagão de vinte anos) vestido somente com uma fralda, é de masgaiar o coração. Israel não fala, não anda, usa fraldas, come o que lhe põe na boca e tem só a metade do crânio a outra parece que foi extirpada. Do outro lado do filme, os poderosos do executivo, do legislativo e do judiciário se regalam com seus super salários e mais mordomias e ao se abrir uma janela ouviremos os plangentes brados de Castro Alves ecoando no firmamento: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, senhor Deus, se eu deliro… ou se é verdade, tanto horror perante os céus!!”

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