Especial com Alcivando Lima – EITA CAMELÔA BRABA, CREDO

“A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver.” Bertrand Russell

Sempre que apeio dum ônibus ali na Praça do Bandeirante, avisto logo a estátua do Bandeirante olhando tão firme para o oeste que até dá vontade de perguntar pra ele: Tá a procura do quê? Jânio Quadros, Ulysses Guimarães e outros notáveis do Centro Acadêmico XI de Agosto (São Paulo) fizeram uma brincadeira com o povo goiano mandando a estátua daquele que ameaçou incendiar o Rio Vermelho caso os índios continuassem com a intolerável birra em não querer mostrar onde o ouro estava amoitado e, enquanto a água fervesse, ele, o Bandeirante, lá de riba da Serra Dourada, tomava umas cagibrinas ao tempo em que tocava sua violinha. Os Goyazes deram aquela gaitada e ameaçaram enfiar-lhe o pé na bunda caso ele não parasse de encher-lhes o saco em querer tacar fogo n’água molhada. Então, o Bartolomeu se emputeceu e pegou aquela bateia que carrega esganchada na cintura e tafuiou nela uma pinga sem-vergonha e puft, iscou a binga e a água se fez em labaredas, difundido na indiaiada um insidioso temor e garraram a gritar: Qualé Anhanguera? Enlouquecestes? Fidumaquenga! Mas, a versão verdadeira, segundo o relato duma testemunha, o que eles gritaram mesmo foi: Ô diacho, esse piromaníaco quando enche o rabo de pinga põe fogo em tudo quanto é paiada. Agora o cão atentou e ele sapecou nossa água, ôô saaco! Vamos mostrar onde ta o nosso ouro ou vamos ensinar-lhe com quantos paus se faz uma canoa?

Largando de mão de criar caso com a estátua e de querer perturbar a história, tomo a Anhanguera na direção leste e logo pulo pro lado paralelo mode aproveitar a sombra projetada pelos prédios e quando dou fé já cruzei a rua 7, 6 e antes da Araguaia entro num camelódromo para ver se consigo umas camisetas de malha de algodão. Quero-as bem largas, sem estampas, sem grife, sem nada que me esfole tomando o meu mirrado dinheirinho e ainda por cima ter que fazer propaganda (de graça) dalguma “famosa dupla de cantores” que nunca vi mais gorda e muito menos ouvi-la “esgoelar suas lindas canções”, (coisa que Deus há-de me poupar para não contrair uma desesperadora otite). Nesse trajeto, sou bombardeado por mil e seiscentos camelôs e camelôas me oferecendo bugigangas próprias da eterna crise da qual nunca saímos com os mandatários descendo a mutamba nos seus antecessores, culpando-os pelo desarranjo intestinal do município, do estado e da nação. Assim foi, assim é e assim será, sempre.

Pulo de banca em banca à cata das tais camisetas até que achei uma e fui atendido por uma baixotinha que portava um corte de cabelo no feitio do Último dos Moicanos e que estava com a cara de quem acabara de bater no marido ou na esposa, sei lá, e eu, humildemente (acho) indaguei-lhe se tinha camisetas baratinhas, baratinhas! Ela esbugalhou os olhos e deve ter pensado lá com seus botões: Hoje eu mato um se me perguntar, de novo, se tem camisetas baratinhas, baratinhas! Com um muxoxo desprezou meu sorriso amarelo e me arrespondeu:

Baratim, baratim? … Só na casa do carai!!!

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