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Especial com Alcivando Lima – DEUS, Ó DEUS DOS DESVALIDOS, EXISTE ALGUMA INSTITUIÇÃO BRASILEIRA EM QUE SE PODE CONFIAR?

“... Nossas vozes rasgam o infinito, mas não somos ouvidos por ninguém.” Gabriel Nascente – (Os defuntos que falam) Tribuna do Poeta DM 5/8/18

Vi na tevê e nos cartazes esparramados por tudo quanto é lado dizendo que “Plante que o João garante” e o desgraçado plantou, colheu uma mixaria e o agente financeiro tomou-lhe as terrinhas e ele juntou os trens e os assentou sobre uma rodilha de pano encardido na cabeça da mulher prenha e com dois dedos enfiados na boca assoviou para aparecer uns oito meninos e meninas cada um mais barrigudinho que o outro de olhos remelentos que eles chamam de bunitinha e mais uns quatro cachorros também no mesmo estado que, quando viram o patrão garrando a espingarda, endoideceram de tanto latir pensando que iam caçar rato do mato. O patrão dá um suspiro, olha pro céu dum sol esturricante, joga uma trouxa de trens nas costa e zarpa acompanhado da mulher, da récua de meninos e dos cachorros no rumo da estrada para pegar um pau-de-arara que os levará pra Goiânia ou São Paulo. Um dos cinco gatos ensaiou de acompanhar a caravana, deu oito passos e subitamente estacou e voltou de ré.

Você vai a um comício ou vê na telinha e fica estarrecido com os candidatos que nivelam todo mundo no mesmo patamar, prometendo que vai asfaltar a cidade de cabo a rabo e que providenciará um sistema de saúde que atenderá 24 horas de domingo a domingo e essa senhora aí atrás do toco que parece pesar uns 200 kg, vai fazer uma bariátrica e ficará fininha, bonitinha e cheirosinha e essa banguela do seu lado que não tem dente pra fincar numa rapadura, vai ganhar implante de tudo quanto é dente que faltar na boca, certo?… Segurança? Ora segurança! Todo mundo, no meu governo, terá segurança 30 horas por dia; seus filhos e o resto da cambada poderão ir pra gandaia, pro super-mercado, pro shopping, pra da casa da mãe-joana, pra fazer companhia pra madrinha e pro escambau, entenderam? … Educação? Quê que é isso minha gente?… A educação será o meu carro-chefe. A molecada, assim que aprender falar mamã e papa, abrindo e fechando a mãozinha em concha diante da boca indicando que quer comer (e dá aquela fungada de choro incontido) terá, desde a creche até formar e reformar e tudinho de graça, ta bão? … Prometo ainda, — continua o bem-aventurado —- que nunca mais vou deixar subir o preço do gás, do pão, do arroz e do feijão; Carne? Ora, meu Deus do céu!… Vão comer carne todo santo dia e não essas muxibas que de seis em seis meses conseguem comer. Você aí ó, que ta tremendo de fome, é… Você mesmo ao lado desse cabeludo aí, tu vai morrer de tanto comer carne meu bichim. Emprego?… Vixe! … Vocês vão tomar nojo de ver tanto emprego que eu vou arrumar nas suas vidas. Vai ter serviço pra mãe, pro pai, pra sogra, pro filhão e pra teteinha sapeca e aquele ou aquela que não quiser trabalhar e nem estudar a polícia agarra e bate dum tanto que será preciso banhar em salmoura e depois de um mês volta e se for flagrado sem trabalhar e sem estudar toma outra tunda e vai tomando tunda até acabar o cheiro de vagabundagem. Transporte público? Taí uma coisa que nunca viram nem nos sonhos. Essa bonitona aí de aliança de noiva, poderá ir pro seu casamento num ônibus com ar condicionado, limpinho, música clássica, popular ou sertaneja,ninguém em pé, todo mundo sentadinho na sua poltrona de couro, andando na maciota, sem o motorista dar brecada da gata parir e sem gastar um tostão sequer, tão me entendendo? … Heim?… Tão?… E tem mais: Vou alisar a Cordilheira dos Andes “mode” os ventos e as nuvens poderem passar tranquilamente e acabar com essa “disgrama” do El Ninho que seca tudo quanto é corgo e num deixa chover nem a custa de reza braba, “tamo conversado?…Então, anote aí pra depois me cobrar quando eleito for e,… querem saber? … Vou registrar tudo isso em cartório pra você minha respeitável e elegante senhora, procê meu circunspecto senhor de barba branca, pra você linda mocinha da calça rasgada e pra você rapagão que ta ruminando chiclete que não estuda e nem trabalha, venham me cobrar depois de eleito que serão recebidos de braços abertos. Ninguém precisa marcar audiência, é chegar, meter o pé na porta do meu gabinete que será de-vi-da-men-te atendido, viu?…

E assim sempre foi e assim será até o fim dos tempos, em todas as épocas, em todos os governos. Essa é a ladainha que ouvimos e ouviremos do capitão-mor e dos seus asseclas.  Antes, muito antes das eleições dizem que a coisa ta preta e que é preciso aumentar impostos, senão a vaca vai pro brejo; depois, um ou outro desses ministros se candidata e promete moralizar a coisa pública e que fará um governo de austeridade acabando com o bordel do passado, esquecendo que era o porteiro e o zelador da casa de diversões e, se ganhar, deixa aumentar o preço da energia elétrica, da gasolina, óleo diesel, do arroz, do feijão, do gás, do péssimo transporte público, de todos os impostos com o argumento de que a coisa ta preta e a vaca vai pro brejo!

Só nos resta pedir socorro ao legislativo e ao judiciário. — O quê? … É trocar seis por meia dúzia?… Heim? … O lupanar é propriedade da maioria deles, é? — “Tamos” lascados!!

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