Especial com Alcivando Lima – AMOR IMORREDOURO

“Poderão cortar todas as flores, mas não poderão deter a primavera.” Pablo Neruda

Os anos, num moto-contínuo, levam e trazem pessoas. Tirante os filhos, Deus nos brinda com algumas que, ao passar por nós, deixam o rastro do exuberante e peculiar perfume dos jasmineiros da noite. Volvendo nosso olhar para os céus, vemos seus sorrisos nos saudando ou nos afagando num abraço fraternal.

Faz-nos muito bem em receber ou ir ao encontro dessas pessoas. Mutuamente, darmos um aperto de mãos e jogamos conversa fora e fazemos ou aceitamos um convite para um fim de semana prelibando frango com piqui, angu, quiabo e demais acepipes da nossa culinária goiana, riquíssima de sabores exóticos. Ah! deleite reservado aos deuses.

Dessa proposição, destaco o casal JOSÉ AUGUSTO AIRES e REGINA LOBO, amigos com os quais tive o privilégio de conviver, em tempos idos, na aprazível São Luiz de Montes Belos, onde Zé Augusto, enterneceu-se de amores ao aspirar a fragrante e doce beleza da Regina e se embevecer com a personalidade forte do seu olhar de céu anilado e esta, vislumbrando um idílio repleto de paixões, encantou-se pelo “it” especial de Zé Augusto, um gentleman de olhar azul-varonil, conquanto sedutor e apaziguador. Entrementes, o infalível destino, aliciado pelos males escapados da caixa de Pandora, interpôs-se no sereno andamento dos dóceis enamorados, separando-os por décadas, e cada qual constituiu família que, por tramas dessa mesma desdita, pouco durou o convívio entre os cônjuges. Como um rio, cada um seguiu seu caminho, e, por vontade Divinal, se reencontraram e a esperança retida na mesma caixa se materializou e eles se fundiram num só corpo e desembocaram num delta denominado AMOR IMORREDOURO, ressuscitando daí o poema lírico que o fado interrompera. Alegremente marcaram para o mês de julho vindouro o sacramento dessa união que só o Onipotente poderia separar e aí, o acaso, Lei suprema e imutável determinada por Deus, levou, no começo deste maio, a amada Regina Lobo para morar no mundo das criaturas celestiais.

Esta aflição irradiada leva-nos a oferecer o ombro amigo para amparar seu pranto. Saímos desesperadamente à cata de poções balsâmicas para amenizar este tormentoso penar e, de mãos dadas elevamos aos céus esta súplica: “Ah, Deus, sabemos que Vós nunca prometestes que não sofreríamos dor e angustia, mas quando ela viesse, estaria sempre presente para dar-nos força e resignação para suplantá-la. Oh, Onisciente e Onipresente, proteja o coração do Zé Augusto que sangra desde que sua amada Regina se foi e uma lúgubre penumbra fez ali sua morada e os passarinhos emudeceram, o riso mostrou uma cara enfarruscada e as lágrimas rolam perenemente pelo seu rosto. Diz pra ele que Tu estás amparando sua meiga Regina, e que ela, sentada à sua direita, enviará PAZ ao mundo terreno. Diz pra ele, Deus, diz! Conta pra ele que Seus planos são infalíveis e que queremos ver o teu sorriso brotar, ainda que levemente, na sua lacrimosa face.”

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