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Especial com Alcivando Lima – AMIGOS: LUZES NO FIRMAMENTO

“A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.” Millôr Fernandes – Desenhista, humorista, tradutor, escritor e dramaturgo brasileiro (“Extraído do site “O Pensador”).

Quando se tem amigos e passa-se décadas sem se avistar com eles e de repente perpassa-lhe um fato pitoresco, bizarro ou se entrecruzas por alguém que é a cara daquele amigo, o mundo fica que meio sorumbático e uma saudade arrocha o peito da gente. Principalmente daqueles que foram únicos na sua forma, sem observância de riqueza, raça, cor da pele ou defeito físico como orelha grande, pé-chato de passadas pesadas de quando menos se esperava, estava a dormir sentado na cadeira e se fosse uma poltrona almofadada, só com trombetas para acordá-lo. Valores, para eles, eram e são: sagacidade espiritual, o humor ácido sobre as mazelas politiqueiras, tratar com delicadeza as mulheres de todas as cores, de várias idades de muitos amores, casada carente, solteira feliz, mulheres donzelas e até meretriz — como bem diz Martinho da Vila. Ver Deus num olhar inocente duma criança e ouvir, respeitosamente, os mais velhos. É aquele que te salva de apertos financeiros, da namorada que ficou sabendo da outra, daquela entrevista que lhe renderia alguma grana, mas a ressaca do porre da noite anterior o impedira de comparecer e ele, magistralmente, arranjara um atestado médico específico para aquele embate e consegues o lugar de auxiliar de redação e, sobretudo, pelas vezes que te ligara às 2 da manhã, somente para falar, numa voz pastosa: Tô conferindo se ainda estás nesse mundo, cara, tchau!

Inesquecíveis aqueles poetas que, do aroma das rosas, criam obras primas do cancioneiro popular e são declamadas e cantadas por um mestre-de-obras, advogado, carpinteiro, médico marceneiro, diplomata, eletricista ou pintor de paredes que expiram sentimentos que estraçalham e despedaçam corações ao ver rolar uma lágrima pela saudade de um amor, como fez o imortal mineiro Mário Palmério- 1916/1996, quando compôs SAUDADE, cantada, dentre muitos, por outro imortal, Renato Teixeira:

                “Se queres compreender/O que é saudade/Terás que antes de tudo conhecer

                Sentir o que é querer e o que é ternura/ E ter por bem um grande amor viver

                Então compreenderás/O que é saudade/Depois de ter vivido um grande amor

                Saudade é solidão, melancolia/ É nostalgia, é recordar viver…”

Às margens do rio Araguaia ou rio das Araras Vermelhas, está fincada a linda e hospitaleira Aruanã, cidade que evoca o meu inesquecível e pranteado amigo Rosiron Wayne, protagonista de grandes feitos como empresário e filantropo; também foi uma luz na capital goiana como oficial da polícia militar, vereador, deputado e delegado de polícia, além de pai do capitão Wayne, ex-vereador e ex-deputado e um prócer das causas humanitárias.

Ainda na aprazível Aruanã, no Jornal Azunil, do meu querido amigo Azulão, dediquei uma singela crônica ao jovem Padre Jamel Carlos, ao qual nominei “O poeta do Púlpito”, por ter por ele um grande apreço pela sua poética dedicação à Cristandade e sua homilia traduz temas ligados ao cotidiano e ao evangelho que nos recomenda elevar aos céus, diariamente, uma fervorosa prece. Por sua sugestão, o Frei espanhol Ignácio Larrañaga, (1928/2013) é nosso guia espiritual e seu manual de oração “Encontro”, acalenta nossa alma e nos faz dormir em paz.

“Meu Pai, agora que as vozes silenciaram e os clamores se apagaram, aqui ao pé da cama minha alma se eleva a Ti, para dizer: Creio em Ti, espero em Ti, e amo-Te com todas as minhas forças, glória a Ti, Senhor! Deposito nas tuas mãos a fadiga e a luta, as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás. Se os nervos me traíram, se os impulsos egoístas me dominaram se dei lugar ao rancor ou à tristeza,
perdão, Senhor! Tem piedade de mim.

Se fui infiel, se pronunciei palavras em vão, se me deixei levar pela impaciência, se fui um espinho para alguém, perdão Senhor! Nesta noite não quero entregar-me ao sono sem sentir na minha alma
a segurança da tua misericórdia, a tua doce misericórdia inteiramente gratuita.

Senhor! Eu te agradeço, meu Pai, porque foste a sombra fresca que me cobriu durante todo este dia.
Eu te agradeço porque, invisível, carinhoso e envolvente, cuidaste de mim como uma mãe,
em todas essas horas.

Vela por mim, Pai querido, enquanto eu me entrego confiante ao sono, como uma criança
que dorme feliz em teus braços. Em teu Nome, Senhor, 
descansarei tranqüilo. Amém.

Especial com Alcivando Lima – AMIGOS: LUZES NO FIRMAMENTO
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