EDUCAÇÃO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA TRÍATE EM PROL DA HUMANIZAÇÃO

Leonardo Andrade: 18 setembro 2017

Estabelecer relações entre a Educação e a sociedade, além de possível, é de grande relevância para se pensar em um currículo que contemple a formação integral do sujeito. Visto que para Saviani (2012) dentre as várias instâncias educativas presentes na formação do sujeito, a escola é aquela responsável por garantir o acesso ao conhecimento sistematizado, de forma plena a esclarecer o sujeito das produções e objetivações humanas constituídas historicamente.

Essa teoria surgiu dos déficits nas praticas educativas nas escolas, as perspectivas tradicionais, escolanovistas e tecnicista não contemplavam a materialidade histórica, as contradições sociais e da própria proposta de educação deveria ser supridas (SAVIANI, 2012). Desta forma, notamos que é no trabalho educativo que esta teoria almeja enfatizar a importância da escola, a reorganização da práxis a partir do saber acumulado e sistematizado, ou seja, o conhecimento científico proposto na instituição escolar.

Dessa forma, a partir das leituras que orientam essa disciplina, sobretudo do Coletivo de Autores (1992) entendemos que a concepção de sociedade, educação e Educação Física é concebida à luz de três grandes eixos, a Teoria Social de Karl Marx, chamada de Materialismo Histórico; A Pedagogia Histórica – Crítica de Dermeval Saviani objetivada para edificar uma pedagogia transformadora; e a abordagem Crítico-Superadora no campo da Educação Física.

Segundo Bracht (1999) o “corpo” e a sociedade têm uma relação dialética, onde a cultura humana se manifesta também pela materialidade corpórea. Portanto, ao contrario da emancipação humana “desencarnada” atribuída pelo iluminismo deflagrava, e do mentalismo positivista que separava o cognitivo do motriz, sabe-se que a dicotomia entre corpo e mente já é ultrapassada no que diz respeito a um sujeito omnilateral.

Seguindo este nexo, duas abordagens da Educação Física se destacam como propostas progressistas para o ensino da mesma em um contexto escolar.  Para Bracht (1999) a Abordagem Crítico-Superado e a Crítico-Emancipatória surgem para confrontar um ideário de Educação Física como instrumento de reprodução social, que ideologicamente pendia a favor dos dominantes sobre os e dominados. Dessa forma essas abordagens visam apontar caminhos didático-pedagógicos que possibilitem ao mesmo tempo tematizar as formas culturais do movimentar-se humano e garantir uma reflexão crítica a seu respeito, descortinando suas vinculações com os elementos de ordem elitista. Dessa forma, simultaneamente elucidavam as especificidades de cada abordagem, a lógica dialética para a Crítico-Superadora e o agir comunicativo para a Crítico-Emancipatória de Elenor Kunz.

Para Saviani (2012) a educação tem um papel fundamental nos processos de humanização dos sujeitos, pela sua especificidade quanto ao trato com o conhecimento pela razão, está que é exercida de forma crítica. Uma das referências nas discussões da Pedagogia Histórico-Crítica é Gasparin (2005) que embasado em Dermeval Saviani sistematiza as etapas didático-metodológicas que se configuram por 5 momentos inter-relacionados e interdependentes: Pratica Social; Problematização; Instrumentalização; Catarse; Prática Social Fina.

A forma como esse ensino dos conhecimentos acumulados acontece na escola é indispensável para a autonomia relativa à educação citada por Saviani.  A existência social dos homens que gera o conhecimento, pois resulta do trabalho humano no processo histórico de transformação do mundo e da sociedade, através da reflexão sobre esse processo. O conhecimento, como fato histórico e social supõe sempre continuidades, rupturas, reelaborações, reincorporações, permanências e avanços (SAVIANI, 2012).

O desafio é atribulado, mas não impossível, mas para que tenhamos êxito é importantíssimo compreendermos os princípios que fundamentam nossa área e militarmos para que sejam respeitados. Antes de tudo, segundo Bracht (1999) o objeto da Educação Física, diz respeito às manifestações da cultura humana expressas pelo movimentar-se, e aquelas concepções ultrapassadas que atribuem ao movimento um caráter biológico, mecânico ou até mesmo psicologista devem ser rechaçadas. Mas vale ressaltar que essa concepção progressista só será predominante quando a educação for concebida por um referencial tecido pelas ciências sociais e humanas.

No entanto como visto no início deste texto a mudança do imaginário social
sobre o “movimentar-se” depende também dos vetores sociais vigentes. As abordagens educacionais em destaque nessa obra objetivam uma transformação não só da forma de se ensinar Educação Física ou nas relações pedagógicas dentro da escola, mas na tomada de consciência das pessoas, para que se formem como sujeitos críticos que poderão agir de forma autônoma e humanizada no que diz respeito à cultura corporal e também nas formas de transformador a sociedade.

 

Leonardo Andrade – Professor, pesquisador e palestrante.

[email protected] / INSTAGRAN: @leonardoandradeprof

 

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