Educação Infantil não é depósito de crianças!

Quando refletimos de forma lógica e embasada teoricamente sabemos que quando falamos de Educação Infantil estamos nos referindo também a Educação Básica, pois esta se caracterizada como a primeira de suas etapas (LDB, Seção II, artigo 29). E da mesma forma sabemos que segundo a legislação educacional brasileira – LDB 9394/96 a Educação Física é componente curricular obrigatório assim como outras áreas do conhecimento.

Todavia, é fato que o trato pedagógico na educação infantil e diferente das outras etapas da Educação Básica devido a uma série de fatores e especificidades da própria infância. Porém, Saviani (2012) reforça o ideal que o ensino dos conhecimentos sistematizados deve ser a centralidade do trabalho pedagógico em um ambiente escolar. E para garantir que esses conhecimentos sejam perpassados de forma integral surge a figura de um profissional que estudou muito e dedicou-se para qualificar esse processo, este é conhecido como “PROFESSOR”.

Há poucos dias me deparei com a criação do projeto de lei N° 74/2009 batizado como “Mãe Crecheira”. Este dispõe a criação de creches domiciliares no viés assistencialista para crianças de 6 a 7 anos. Basicamente, qualquer mulher que contemple critérios rasos impostos pela lei poderá abrir sua “Unidade de Educação Infantil” em sua própria casa e se tornar uma mãe crecheira. Independente das justificativas aparentemente louváveis, o projeto fere diretamente ideais básicos da Educação infantil, desconsiderando-a como etapa da Educação Básica e desmoralizando seu potencial formador e transformador, além de banalizar toda uma classe de Profissionais.

Um projeto como esse que aparentemente parece ser tão despretensioso e meritório possui um caráter de desmonte a educação, assim como tantos outros quem coincidentemente vem tomando força e sucateando a Escola Pública (Dá-lhe PEC 241! Dá-lhe Reforma do Ensino Médio! Dá-lhe PEC 395!). Esse projeto coloca a Educação Infantil em um viés assistencialista, apagando anos de luta pela valorização da infância e da própria escola que tem como dever garantir o acesso ao conhecimento desde a mais tenra idade.

O retrocesso está posto desde quando “certo alguém” instaurou o conhecimento notório como qualificação profissional para a área da educação, e eu como Professor me recuso a ficar omisso em momentos como estes. Onde estão projetos de ampliação de CMEIS? Onde estão os Professores aprovados no concurso de 2016 que até hoje não foram convocados? Onde está o direito das crianças da classe trabalhadora por um ensino de qualidade?

Fico pensando se a história do conhecimento notório vira moda em outras áreas em nossa sociedade, e se é o retrocesso continuar em vigor, nada impede de um açougueiro começar a fazer cirurgias ou o rei do gado virar veterinário, não é mesmo? Ironias a parte, repudio o projeto “Mãe Crecheira” e quaisquer atentados a Educação Brasileira e a classe trabalhadora. Viva os Professores do Brasil e viva a educação pública, gratuita e de qualidade!

 

Leonardo Andrade – Professor, pesquisador e palestrante.

[email protected] / @leoandrade118

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