“Educação Física educa o corpo… e MENTE!” Desafios enfrentados na Escola

A Educação Física na contemporaneidade é uma das áreas que mais enfrenta desafios e embates para garantir o seu papel de transformação e construção social em uma sociedade hegemonicamente heterônoma. Por vezes, me pego refletindo no chão da escola do potencial formador que essa área tem, porém muitas vezes e perdido por um ideário ultrapassado da Educação Física. Todavia, de antemão, devemos explicitar os ideais que fundamentam nossa concepção, para de fato enxergarmos as rupturas instauradas.

Compreendemos a Educação e a Educação Física á luz de teorias constituídas a partir do Materialismo Histórico Dialético. Estas visam garantir o acesso aos conhecimentos historicamente construídos e culturalmente modificados pela humanidade, assim contribuindo para o processo de humanização dos sujeitos. Esse ideal e fundamentado na Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani, na Psicologia Histórico Cultural de Vigotski e na Abordagem Crítico-Superadora da Educação Física de Soares et al. objetivando que a catarse aconteça e oportunize uma nova prática social.

Embasado na fundamentação epistemológica supracitada, entendemos que a escola tem a função de ensinar através do trabalho pedagógico esses conhecimentos acumulados pela humanidade, que no âmbito da Educação Física se materializa pela Cultura Corporal (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Nesse processo o Professor se depara com barreiras que dificultam e por vezes impossibilitam os processos educativos.

Historicamente a Educação Física é tratada por uma visão estereotipada na dimensão recreacionista ou esportivista. Esse rótulo coloca essa área desvinculada do currículo e do processo de formação escolar, perspectiva recreacionista é reforçada pelos próprios colegas e gestão escolar (PIROLO,2005). Esse mesmo desatino acontece na dimensão esportivista, visando a Educação Física Escolar como instancia de formação de atletas e talentos esportivos, reforçando a lógica do capital posta de exclusão social e de sobrepunjança do maior sobre o menor, como se as oportunidades e os acessos fossem os mesmo para todos (ALBUQUERQUE, 2009).

Em uma análise crítica chegamos a uma consonância, esses e tantos outros problemas enfrentados são advindos de uma categoria maior de dominação, a Indústria Cultural. Betti (2001) diria que a visão difundida pela mídia acerca se torna a principal aliada dos ideais neoliberais de dominação, corroborando para a constituição de sujeitos heterônomos, que entendem a Educação Física apenas na dimensão recreacionista, esportivista ou compensatória (terapêutica).

As mídias podem ser um dos maiores desafios para a Educação Física Escolar, os conceitos e fundamentos devem sempre ser questionados, a fins de superar as imposições e estereótipos que estão postos. A Cultura Corporal (Jogos, Brincadeiras, Esportes, Ginástica, Capoeira, Dança, Lutas, Entre outros) vai muito além do senso minimalista perpassado pelas fontes midiáticas. Discutindo roterinamente com os educandos deve-se contribuir para uma formação crítica é autônoma, possibilitando a transformação social e a emancipação dos sujeitos.

 

Leonardo Andrade – Professor, Pesquisador e Palestrante.

[email protected] / @leoandrade118

Mostre mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar