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Economia

Economistas: China manterá sua posição vantajosa no comércio bilateral com o Brasil

# Gil Campos

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Apenas a possibilidade de uma elevação, mesmo que mínima, de 0,25 ponto percentual das taxas de juros nos Estados Unidos, está causando apreensão em escala mundial. A China decidiu não esperar para ver e resolveu tomar providências em meio a uma reforma de sua economia, que pretende voltar as atenções para o cenário interno do país. Mesmo assim, os asiáticos demonstram que ainda olham muito para o que acontece no resto do mundo e a depreciação do yuan deve afetar agora o Brasil.

Apenas entre terça e quinta-feira desta semana, a China depreciou sua moeda em cerca de 4,53%, que encerrou a semana valendo US$ 0,156. As intervenções na taxa de câmbio do outro lado do mundo devem afetar de alguma maneira o Brasil. Ou o país também desvaloriza o real frente ao dólar para manter seus produtos a preços nivelados ou irá perder competitividade no mercado internacional. A dificuldade é que a crise interna enfrentada pelo país já desvalorizou a moeda nacional, fazendo com que ela atingisse o maior nível dos últimos 12 anos. O dólar, que encerrou nesta sexta-feira (14) cotado a R$ 3,48 já se aproxima do maior nível do plano real, quando chegou aos R$ 3,95 em 22 de outubro de 2002.

O valor atual do real frente ao dólar ainda não está compatível, segundo o professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Martins de Mello: “O real hoje ainda está valorizado”, diz. Ele acredita que as medidas adotadas pela China são formas de defender sua economia “dos efeitos das possíveis mudanças na política monetária americana”.

Nas últimas semanas, a segunda maior economia do mundo esteve em destaque com notícias a respeito das fortes desvalorizações da bolsa de Xangai, que surpreendeu o mercado financeiro e a diminuição do crescimento de seu Produto Interno Bruto, que deve crescer em torno de 7%, menos do que os mais de 10% registrados nos últimos anos, o que já era projetado por especialistas. Mello não enxerga, entretanto, esses dados como sinais de crise. “A China tem problemas completamente diferentes dos que o mercado diz que ela tem. O país está fazendo uma transição para tentar reverter o dinamismo do mercado externo para seu mercado interno”, explica o economista.

A mesma opinião tem o professor de economia da Universidade Federal do Ceará, Jair do Amaral Filho, mas acrescenta que há problemas estruturais no país. “A vantagem da economia chinesa é que ela conta com um poderoso sistema de governança e coordenação para redirecionar processos.”

“Com a desvalorização do Yuan, pode-se dizer que a China manterá sua posição vantajosa no comércio bilateral com o Brasil, nos segmentos das manufaturas com baixo, médio e até alto conteúdo tecnológico”, diz o economista. Para ele, o Brasil deve voltar agora seus olhos para a recuperação da economia americana, assim como a China já está fazendo.

Amaral acredita que há vários “movimentos econômicos desencontrados” ocorrendo atualmente na economia mundial. O Brasil, por si só, já está vivendo seu próprio momento de desencontro, com dificuldades para conter a inflação, que deve atingir seu ápice neste trimestre e só voltar a baixar em 2016, segundo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Em julho o governo reduziu a meta do superávit primário, de 1,1% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB) e fez novos cortes no orçamento. Segundo falas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em entrevista nesta sexta-feira (14), a economia está se reequilibrando e investir no Brasil voltou a ser atraente. “Havia um crescente déficit nas contas externas. A balança começou a ter superávit, investir no Brasil voltou a ser atraente, vemos grandes investimentos imobiliários, a gente vê uma recuperação no setor externo absolutamente fundamental”, afirmou.

Gil Campos é o fundador do Jornal Opinião Goiás. Ele é publicitário e jornalista. E-mail: gilcampos@opiniaogoias.com.br

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