“Cuidar e Educar é coisa de homem? – Professores na Educação Infantil”

Esse conceito faz uma análise crítica a uma situação naturalizada por muito hoje em dia em dois sentidos. O primeiro deles diz respeito à distribuição desigual dos homens e mulheres no mercado de trabalho, nas profissões e responsabilidades, e, sobretudo na divisão do trabalho doméstico entre os sexos. Avalie quantos homens são gestores, megaempresarios e quantos são professores de pré-escolas e instituições de educação infantil, faça o mesmo com as mulheres e verás que esse conceito está mais próximo do que você imagina.

A Educação Infantil é a primeira etapa de educação básica, e o que diz respeito a profissionais atuantes nesse espaço a maioria são mulheres. Esse contexto é impregnado de uma série de estereótipos e determinações sociais que perduram desde os primórdios da educação. Porém, essa realidade diz respeito a uma demanda que extrapola o campo educacional, mas atingi um viés sócio-cultural, conhecido como “Divisão Sexual do Trabalho” (HIRATA; KERGOAT, 2007).

Esse conceito faz uma análise crítica a uma situação naturalizada por muito hoje em dia em dois sentidos. O primeiro deles diz respeito à distribuição desigual dos homens e mulheres no mercado de trabalho, nas profissões e responsabilidades, e, sobretudo na divisão do trabalho doméstico entre os sexos. Avalie quantos homens são gestores, megaempresarios e quantos são professores de pré-escolas e instituições de educação infantil, faça o mesmo com as mulheres e verás que esse conceito está mais próximo do que você imagina.

A segunda dimensão tem como objetivo desvelar essas desigualdades no mercado de trabalho, enfatizando a hierarquizarquização das atividades e, de forma implícita a sobrepujança de um sexo sobre o outro, fortalecendo o sistema patriarcal e arcaico vigente. É notável o peso político de determinados cargos atribuídos aos homens por uma interpretação errônea das próprias relações sociais. Esse papel de “Poder”, “Virilidade” atribuída à figura masculina justifica a omissão dos homens nas responsabilidades domésticas assim como deslegitima a mulher no mercado de trabalho.

Pois bem, para Souza (2010) a divisão sexual do trabalho está presente deste a gênese da educação infantil, que até nos dias de hoje é refém de uma visão maternalista justificada por um certo inatismo. Ou seja, as mulheres são marcadas pelo talento de cuidar de crianças, independente de suas relações e apropriações, desse modo as responsáveis pela educação dos pequenos devem ser estritamente estas. Como dito anteriormente, a Educação Infantil é uma etapa da Educação Básica e deve ser respeitada como tal, desse modo a relação de ensino-aprendizagem não deve ser definida por sexo ou dom é sim por um trabalho educativo de qualidade e comprometido.

Você já reparou quantos homens trabalham na escola de seu filho? Segundo um estimativa da Secretaria Municipal de Educação de Campinas-SP no ano de 2013, de 315 professores homens que compunham o quadro docente na Educação básica, apenas 9 atuavam na Educação Infantil. Sabemos que essa dualidade, “Coisas de meninos x Coisas de meninas” está presente em várias esferas de nossa sociedade, desde a escolha de brinquedos na infância até na programação de TV, me assusta que em pleno século XXI ainda assumimos tal postura, esse rótulo arbitrário já passou da hora de ser superado.

Todavia, o que me deixa esperançoso é que existem grupos que lutam por uma superação dos determinismos biológicos e determinações de papeis sociais atribuídos a homens e a mulheres. E, sobretudo, militam por uma educação transformadora que possa formar sujeitos atuantes para concretizar uma mudança em sistema patriarcal e preconceituoso.

Nessa pequena reflexão fica evidente os desafios intrínsecos dos Professores e Professoras na Educação Infantil, com ênfase no preconceito ao homem nessa etapa e nas barreiras que dificultam o trabalho pedagógico nessa e no avanço da educação. Desse modo recorro a Simone de Beauvoir (1980) que afirma que tanto o homem quanto a mulher a partir de suas relações sociais e interesses vão escolher livremente quais papais vão assumir na sociedade, independente das influências taxativas e deterministas impostas sobre eles.

Por fim, afirmo que a presença do Professor na Educação Infantil é legítima, pois esse é um campo de atuação tanto para homens como para mulheres que se dedicam ao cuidar, ao brincar, ao cantar e, sobretudo ao “EDUCAR”, pois esse é eixo norteador do trabalho educativo e o papel social da escola. Sou Professor, atuo também na Educação Infantil e luto por uma educação real e transformadora para meus alunos desde a mais tenra idade.

 

 

Leonardo Andrade – Professor, pesquisador e palestrante.

[email protected] / @leoandrade118

Mostre mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar