Opinião

A RELAÇÃO PROMÍSCUA ENTRE O CORONELISMO E A POLÍTICA DOS GOVERNADORES

A RELAÇÃO PROMÍSCUA ENTRE O CORONELISMO E A POLÍTICA DOS GOVERNADORES
Marcos Manoel Ferreira
A RELAÇÃO PROMÍSCUA ENTRE O CORONELISMO E A POLÍTICA DOS GOVERNADORES
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NOSSO FISIOLOGISMO DE CADA DIA

Marcos Manoel Ferreira: 10 outubro 2017 – 21:18

A política dos governadores foi um sistema não oficial, efetivado pelo presidente da República Campos Sales (1898 – 1902), que acabou tornando-se uma característica do modelo político, durante a República Velha.

O modelo econômico agrário brasileiro, pariu um sistema político, econômico e eleitoral elitista, controlado por uma aristocracia rural e latifundiária, formada por grandes fazendeiros – coronéis – ligados às atividades cafeeira ou pecuária. A principal característica deste modelo durante a República Velha, evidenciava as relações promíscuas entre os grandes fazendeiros que – detiam o controle do poder local – e a manutenção dos privilégios, através do chamado “voto de cabresto” e os “currais eleitorais”.

A prática do coronelismo, aspecto marcante da política nacional, escara de um país rural e provinciano, consolidou um modelo social excludente, machista e conservador. Fazendo uso de seu poder político e econômico, da violência recorrente contra seus opositores, com um “exército” de capangas e jagunços armados até os dentes, em eleições fraudulentas, apoiando e dando sustentabilidade ao governo federal, estadual e local. Elegendo sempre o que melhor atendesse aos seus interesses. Domínio absoluto dos poderosos coronéis e fomentadores das fraudes eleitorais, como afirmou Victor Nunes Leal, “inventavam-se nomes, eram ressuscitados os mortos, ausentes compareciam” e muito mais do gênero.

Esta prática do então sistema político e econômico brasileiro, fomentava uma relação direta entre o coronelismo e a política dos governadores, que davam sustentação para o modelo federal conhecido como “política do café com leite” e vice-versa, numa troca de favores e interesses. Nosso arcaico e atual fisiologismo que nos é tão familiar. Uma relação de reciprocidade, entre o Governo Federal que apoiavam os Governos Estaduais, que por sua vez, em troca, contavam com o aval do coronelismo, que detinha o controle na esfera municipal e fortalecia as demais esferas do poder.

Portanto, a relação entre o coronelismo e a política dos governadores, consiste numa troca de apoio e favores, que atendiam aos interesses políticos e econômicos de ambos. Que eram exatamente a sustentação da “política do café com leite”, que predominou durante a República Oligárquica até 1930, com a chegada de Vargas ao poder.

Deixando um legado histórico de manipulação, corrupção e vergonha nacional. O Brasil de ontem, lamentavelmente – não aprendeu com o passado – inspira a ilibada classe política brasileira de hoje, quando um paladino e presidente da República, recebe o acobertamento imoral e a cumplicidade de um parlamento duvidoso, em defesa do que deveria ser combatido. Maculam a lei, a honra e os anseios do verdadeiro povo brasileiro. Ou “o Brasil não tem povo, tem público”, como afirmou o grande mestre da literatura brasileira Lima Barreto.

 

Marcos Manoel Ferreira, Professor, Pedagogo, Historiador, Escritor. Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior.  [email protected] e  www.vozesdasenzala.blogspot.com.br

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Marcos Manoel Ferreira, Professor, Pedagogo, Historiador, Escritor. Pós-Graduando em Docência do Ensino Superior.