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Magazine: A modelo Iskra Lawrence luta contra padrões da moda e promove a diversidade

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Ana Rodrigues
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Magazine: A modelo Iskra Lawrence luta contra padrões da moda e promove a diversidade. Ela é um das muitas modelos de “tamanho maior” que alcançaram a fama e se tornaram “ativistas do corpo”, promovendo saúde e bem-estar

Jornal Opinião Goiás: 11/09/2017 – 22:27

Durante anos, as imagens de mulheres perfeitamente magras e pele perfeita tem pintado as páginas de revistas de moda, propagandas, canais de televisão e imprensa em geral.

Hoje, a modelo britânica Iskra Lawrence luta contra os padrões inacessíveis de beleza no mundo da moda, usando seu poder nas redes sociais e promovendo a diversidade.

Ela é um das muitas modelos de “tamanho maior” que alcançaram a fama e se tornaram “ativistas do corpo”, promovendo saúde e bem-estar. E recusa-se a permitir que os clientes alterem suas imagens com ferramentas digitais.

“Todo o conceito do Photoshop é uma ilusão”, disse Lawrence em um momento de silêncio raro antes de embarcar em um avião para sua enésima sessão de fotos, desta vez em uma praia deserta na Islândia.

“Não são falhas, são partes do seu corpo, nós simplesmente estamos convencidas pela sociedade e pela mídia de que havia algo de errado conosco”, diz ela.

Na Grã-Bretanha, cerca de 57% das mulheres têm um índice de massa corporal acima da média. Nos Estados Unidos, essa porcentagem ultrapassa os 62%. O tamanho médio de uma mulher americana é de 14-16 (46-50 no Brasil).

Lawrence está entre os tamanhos 10 e 12 (44-46), mas durante anos ela ouviu que ela era muito gorda para ser um modelo. Nas passarelas, é comum que os modelos usem o tamanho zero americano (menos de 38 no Brasil).

Mas as mudanças apontam para o horizonte. Ashley Graham, que no ano passado tornou-se a primeira “modelo com curvas” na capa da famosa revista de traje de banho anual “Sports Illustrated”, é muito popular.

– “Não é necessário ser perfeita” –

Ashley é o primeira modelo de “tamanho maior” a desfilar em fevereiro de 2017 para a marca Michael Kors na New York Fashion Week.

Nesta temporada, ela recebeu prêmios de moda e no domingo à noite voltou para a passarela da marca Prabal Gurung em um desfile de moda com Gigi Hadad.

Não são apenas as modelos. A cultura popular hoje está cheia de mulheres orgulhosas de suas curvas, das cantoras Adele e Beyoncé e das comediantes Amy Schumer e Melissa McCarthy, passando pela tenista Williams.

Na sequência de repetidos escândalos de anorexia, as explorações francesas de luxo LVHM e Kering, que detém dezenas de marcas de moda, de Christian Dior a Saint Laurent, comprometeram-se a banir modelos em tamanho zero de seus desfiles e anúncios.

Atualmente com sede em Nova York, Iskra Lawrence embarca em aviões várias vezes por semana, estrelou campanhas para a marca American Eagle e sua linha de lingerie Aerie, e tem quase quatro milhões de seguidores no Instagram.

A modelo diz que há seis anos um agente de Londres riu em seu rosto e disse que nunca poderia trabalhar em Nova York.

“Doeu”, lembra ela. Desde então, ela trabalhou para a JAG Models, uma agência criada em 2013 para representar modelos de tamanho mais, participou da New York Fashion Week e tem um enorme anúncio com sua foto em Times Square, intocável.

“Ver essas imagens cruas e reais realmente ajuda as pessoas a entender que não precisam ser perfeitas e que são boas o suficiente como elas são”, diz ela.

Iskra também levou sua mensagem para escolas britânicas e universidades americanas para promover boa saúde mental e física.

Pelo menos 30 milhões de pessoas de todas as idades e gêneros sofrem de transtornos alimentares nos Estados Unidos, de acordo com a Associação Nacional de Anorexia Nervosa e Distúrbios Associados.

– Uma transformação definitiva –

“Todos os dias eu recebo essas mensagens de jovens em redes sociais dizendo que eu salvei suas vidas de transtornos alimentares ou de pensamentos suicidas. É uma jogada maravilhosa e positiva”, diz ela.

Mas, embora seja mais normal hoje para ver modelos mais completos, ainda é raro, especialmente na alta costura, onde poucas marcas famosas oferecem roupas para o mercado “plus size”.

Muitas pessoas não querem uma “garota gorda” no desfile “, diz Jaclyn Sarka, co-fundadora da JAG Models em 2013, reconhecendo a necessidade de representar belas mulheres de todos os tamanhos. Atualmente, a agência representa cerca de 65 modelos, a maioria dos quais com tamanho 20 (54).

Lynne Webber, gerente de marca Marina Rinaldi, líder no mercado de luxo “plus size” e parte do grupo de moda Max Mara, concorda com essa tendência.

“Eu acredito que há definitivamente um processo de transformação”, diz ela.

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