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CAROTES DE BÁLSAMO OU IMBURANA

CAROTES DE BÁLSAMO OU IMBURANA
Alcivando Lima
CAROTES DE BÁLSAMO OU IMBURANA
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“Em tempos de embustes universais, dizer a verdade se torna um ato revolucionário.”  George Orwell

Estamos vivendo aventuras malucas em um mundo igualmente maluco não tendo ninguém para explicar a irracionalidade do inusitado que acontece, aconteceu e acontecerá ad eternum se os nossos governantes não tomarem atitudes ou providências (não vale a daquela garrafa amoitada na gaveta da escrivaninha, aquela que depois de sofrer uma chacoalhada de soldado sojigando bêbado, forma um rosário duradouro no gargalo provando que não é desdobrada ou batizada e aí se engarguela umas tantas e limpa os cantos da boca com as costas das mãos dizendo: Pode ficar sossegado que agora mesmo tomei uma providência e tomarei tantas quantas forem necessárias para o fiel cumprimento dessa missão, viu?… Para mim, meu filho, isso não é nenhum sacrifício, é, como bem disse o imigrante polaco: a gente tá na chuva é pra desfolhar o coqueiro, visse?… Cumpro o dever cívico com coração engalanado com a sensação do pleno restabelecimento da paz, paz esta que irei propor ao manda-chuva da Coréia do Norte e ao cacique dos Estados Unidos que parem de rosnar um pro outro e de gritar alto pra todo mundo ouvir, que a coisinha da mãe de um é do tamanho de um sapo cururu e tem cor de burro fugido e o outro, pê da vida, enche o peito e lasca de lá, tão alto que se ouve do outro lado da rua, que a da sua mãe (dele) é maior do que a de uma vaca e é branquela descascada e mais isso e mais aquilo, matando de vergonha os transeuntes de ilibada casta com a molecada fazenda festa. Para acabar com essa ingrizia, sugiro que se sentem ao redor duma fogueira e assem um cupim ou uma gorda costela com vinagrete e mandioca pão ou um lombo maturado no vinho tinto, tendo o imprescindível cuidado de ter ao alcance das mãos, vários carotes de bálsamo ou de imburana abarrotados da pura caninha goiana ou mineira para brindarem o armistício selado, deixando de lado a moda feia de fumar cachimbo ao enterrar a machadinha de guerra sob o testemunho de chefes de estado, (mesmo aqueles que estão pendurados por um delgado fio), reis, rainhas e chanceleres.

Esse inusitado viveu a personagem-título como ilustrou Levis Carroll com sua Alice sendo acordada pela irmã no país das Maravilhas dizendo-lhe que tudo não passou de um sonho.

Ela, Alice, conseguiu acordar e nós estamos vivendo a insana loucura da carga tributária e de lermos a toda hora e a todo instante temos estampados nas manchetes da grande imprensa que lá é-vem mais uma lambada na nossa cacunda com o governo tendo a duríssima missão de nos torturar com impostos majorados com o fito de sanar vários déficits, dentre eles o da previdência que é de cerca de 150 bilhões. Mas não falam que devedores respondem por quase três vezes esse valor que beira 430 bilhões (Fonte: Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) e que figuram nada menos que Caixa Econômica Federal 550 milhões, Bradesco 465 milhões, Banco do Brasil 208 milhões, Banco Itaú 88 milhões. A massa falida da VARIG é de quase quatro bilhões de reais, JBS de quase dois bilhões e dezenas de grandes empresas. São mais de 32 mil empresas e 82% delas são ativas.

Cortar gastos nem pensar. Para citar apenas uma sangria: O custo diário do congresso nacional é da bagatela de 28 milhões. E o judiciário, o executivo e toda a máquina que mantém o serviço público azeitado, hein? … Você calcula esse gasto diário?

Toda esse mistifório me faz lembrar, malemá, dum sujeito que aparece num programa humorístico na nossa televisão: “No começo tava muito ruim e de lá pra cá a coisa foi virando uma munha desgraçada e agora parece que piorou!”.

Alcivando Lima é escritor. E-mail: [email protected]

 

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Alcivando Lima é escritor.